Editorial

O Brasil muda pela Educação

E essa bandeira balançou quinta-feira, durante a manifestação popular

23 de Junho de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Qual a agenda local para os protestos que tomam conta do Brasil? Por qual motivo Pelotas luta? Os inúmeros cartazes e faixas empunhados na última quinta-feira, das 17h até o início da noite, traduziram anseios de uma população que espera, já sem paciência, por mudanças. Mudanças que não chegam ao terceiro maior município do Rio Grande do Sul, não são apresentadas e ficam, na maiorias das vezes, na palavra de quem poderia trabalhar e oferecer uma vida melhor às pessoas.

O Diário Popular, em vários editoriais publicados desde 2008, vem destacando a importância - e a necessidade - da valorização salarial dos professores, do pagamento do piso nacional do magistério e de pesados investimentos na educação. E essa bandeira balançou quinta-feira, durante a manifestação popular. De todas as categorias que movem a sociedade, a figura do educador é aquela com o poder de mudar a vida das pessoas. E mesmo assim continua sendo um profissional esquecido em sua carreira pelos governos.

Vale recordar aqui a promessa feita pelo prefeito Eduardo Leite (PSDB) enquanto candidato ao cargo, ano passado, para a área da Educação. Com o título Nosso Compromisso de Pelotas, sua coligação apresentou o seguinte tópico: “...que valorize o magistério, com melhoria salarial e oportunidades de formação continuada”. E vale registrar aqui a promessa do governador Tarso Genro, também durante a campanha: pagar o piso nacional ao magistério. Na sexta-feira pela manhã, mesmo sob chuva, a categoria caminhou em direção ao Palácio Piratini para protestar e cobrá-lo.

Os municípios e estados que ainda não implantaram o piso nacional já têm um passivo desde o dia 27 de abril de 2011 (decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) com os mestres). Ou seja, na próxima quinta-feira a diferença salarial que milhares de profissionais, entre eles os de Pelotas, ainda não receberam completa dois anos e dois meses. Na calculadora, valores que representam o sonho de quem empunha esse cartaz.

Muitas bandeiras legítimas sacudiram quinta-feira. Aquelas que pediram melhor transporte coletivo, mais segurança, mais oportunidade de emprego, o fim da corrupção. E um coro em defesa da valorização dos professores. Países desenvolvidos mudaram através do pesado investimento no setor. Reconstruíram-se olhando para a sala de aula. O Brasil de hoje está nas ruas por mudanças e não pode esquecer essa que talvez seja a principal luta de uma nação que deseja avançar. Avança-se com uma educação melhor, em todos os aspectos sociais e econômicos. Afinal, a quem interessa que o povo não comece a pensar com mais autonomia e força?


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