Editorial

O básico, a energia, ainda é problema

20 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Em 1883, o então imperador Dom Pedro II, entusiasta dos avanços científicos, fez com que o Brasil fosse o primeiro país da América do Sul a contar com uma rede de energia elétrica, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Anos depois, foi no Rio Grande do Sul, em 1924, que passou a operar a primeira usina, construída em Arroio dos Ratos.

Essa introdução serve para dar uma ideia do quão absurdo parece que nos dias atuais, quase 140 anos depois do país implantar a energia elétrica e quase um século após o Estado também ser precursor neste avanço que revolucionou a sociedade, milhares de pessoas ainda precisem conviver com o desabastecimento. Reportagem na página 7 desta edição dá uma ideia dos transtornos enfrentados por famílias, comerciantes e gestores municipais da Zona Sul que estão há dias sem eletricidade ou lidando com a inconstância do serviço prestado pela CEEE Equatorial.

O problema é antigo e já foi pauta de muitas matérias do Diário Popular. Nas palavras dos próprios cidadãos, basta que chova ou o vento sopre mais forte para que falte energia. O resultado disso é óbvio: além do transtorno de ficar às escuras ou sem acesso ao conforto e lazer dos eletrodomésticos, em muitos casos o prejuízo é financeiro. Casos de comerciantes que dependem de refrigeradores e outros equipamentos. Ou de produtores rurais que investem em estufas, leitarias e uma série de utensílios com o objetivo de produzir com mais qualidade, gerar emprego e renda e, por consequência, desenvolver a região. Tudo prejudicado porque o básico, a energia elétrica, ao invés de ser uma solução, se mostra um problema.

Em algumas cidades, não sem razão, a paciência com a má qualidade do serviço prestado parece ter se esgotado e agentes públicos estão recorrendo ao Ministério Público para tentar que alguma responsabilização - e, principalmente, solução - ocorra. Até o ano passado, era comum que críticos da existência de empresas estatais atribuíssem grande parte das falhas ao fato da companhia pertencer ao Estado. Logo, a expectativa criada era de que, uma vez privatizada a CEEE, os serviços deveriam melhorar e a resposta a problemas seria mais eficiente. Apesar da distribuidora dizer, em sua defesa, que possui quase 150 equipes para dar atendimento às demandas, isso tem sido insuficiente, como fica claro para quem está desde o domingo passado, quando choveu na região, ainda sem abastecimento normal de energia.

É essencial para toda a região que a energia elétrica seja tão estável e constante a ponto de virar um não assunto. Ainda ter que conviver com escuridão e desabastecimento, mais de um século depois de dar os primeiros passo, é um grande sinal de atraso.


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