Editorial

O aumento da obesidade

A má alimentação dos brasileiros já preocupa médicos e especialistas da área

12 de Fevereiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A obesidade tem se alastrado pelo país. A má alimentação dos brasileiros já preocupa médicos e especialistas da área. Um dos temores é que o Brasil se torne um país com níveis altíssimos de obesos, assim como os Estados Unidos. Uma pesquisa feita por nutricionistas do Instituto do Coração (InCor) e do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo aponta que 66,3% dos 15 mil paulistanos entrevistados estão acima do peso: 28,9% estão obesos e 37,4% com sobrepeso. Em Pelotas, o Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal vem alertando, com base nos estudos das coortes, para o crescimento do número de crianças e jovens acima do peso.

Os dados do estudo em São Paulo foram coletados em mutirões da saúde, ocorridos em outubro de 2012 nas estações do Metrô, no Parque Ibirapuera e no Quadrilátero da Saúde, onde fica o complexo do HC. A amostra inclui a análise da altura e do peso dessas 15 mil pessoas para cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Todos os participantes moram em São Paulo. O sobrepeso é estabelecido quando o IMC fica entre 25 e 29,9. Quando o IMC passa de 30, a pessoa é considerada obesa.

Do total de pessoas avaliadas pelo programa, 19% tinham obesidade grau 1 (forma mais leve), 7,2%, obesidade grau 2, e 2,7% a grau 3 (obesidade mórbida). Os resultados chamam a atenção porque dados do Vigitel 2011 (pesquisa telefônica feita pelo Ministério da Saúde) mostravam que 15,8% dos brasileiros estavam obesos e 48,5% com sobrepeso.

Os resultados são surpreendentes e mostram que a realidade sobre obesidade no Brasil está pior do que se pensa. A pesquisa traz um diagnóstico da população que tem se alimentado mal e deixado de fazer atividade física.

Em entrevista à Agência Estado, o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), disse que a retirada do mercado de algumas drogas para emagrecer, bem como a restrição do uso dos remédios que restaram, podem ser fatores capazes de explicar tantos casos de obesidade em São Paulo.

Durante a pesquisa, os nutricionistas distribuíram cartilhas com orientações sobre alimentação saudável e colocaram em prática uma ideia interessante: fazer dinâmicas de montagem de prato com réplicas dos alimentos. As pessoas escolhiam os alimentos que normalmente comem e montavam o prato. Com base nisso, as nutricionistas explicavam quais eram os "erros" e ensinavam a montar um prato saudável.

As iniciativas para o controle de peso existem. Porém, as principais atitudes precisam ser individuais, precisam partir da vontade de cada pessoa em querer mudar a alimentação. Não apenas em São Paulo. Mas em Pelotas, Rio Grande, Jaguarão...


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados