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Novo Hospital Escola da UFPel: de zero a duzentos e cinquenta

22 de Outubro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Isabela Andrade - reitora da Universidade Federal de Pelotas

A temática que envolve o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas vem sendo debatida amplamente no contexto universitário e em nossa comunidade pelotense, gerando desnecessária polêmica. Apesar dos esforços, da importância do tema e do longo tempo percorrido, o projeto de um hospital escola próprio da UFPel nunca se concretizou.

O Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas forma profissionais de saúde de diversas áreas e, com isso, impacta positivamente nas ações voltadas à área em Pelotas e região. Para que essa formação seja ainda mais qualificada e ofereça à comunidade uma gama de serviços de ainda maior excelência, é necessário que seja disponibilizada uma estrutura adequada à formação dos estudantes.

É isso que estamos propondo através do desenvolvimento de um projeto para consolidarmos a sede própria do hospital escola da nossa Universidade. Hoje atuamos em um hospital escola sem sede própria, pelo que é pago mensalmente o aluguel de uma edificação que proporciona 175 leitos. Com o projeto do novo hospital, com sede própria, ampliaremos nossa capacidade em 75 leitos, o que representa um aumento na ordem de 43% em relação a nossa realidade atual. Além disso, o prédio que hoje abriga o hospital escola da Universidade Federal de Pelotas estará com o espaço de seus 175 leitos à disposição para novas ações e atividades da área de saúde.

Cabe elucidar aqui a diferença entre um leito de hospital de ensino e o leito de um hospital comum. No hospital comum temos o atendimento de um paciente por um médico; em um hospital de ensino, que é o nosso caso, temos além do profissional que está prestando o atendimento, os estudantes e específicas estruturas. E no que isso impacta? Custo! Aumento da área física, de materiais e de equipamentos envolvidos nas atividades. Além do pensar a construção, há que se pensar na gestão e custeio do hospital ampliado. Cada leito a mais significa um incremento anual de despesa de cerca de R$ 1,2 milhão. Precisamos agir com responsabilidade ao tratarmos com recursos públicos.

Reforço: talvez por pensarmos desproporcionalmente grande, o projeto nunca saiu do papel. Nosso foco, neste momento, é o pontapé inicial para a consolidação de uma estrutura adequada às atividades planejadas.

Não devemos dar o passo maior que as pernas para não incorrermos, mais uma vez, na elaboração de um projeto a ser guardado em uma gaveta. Projetos bonitos e substancialmente inexequíveis não repercutem na vida das pessoas. Servem apenas para ilustrar biografias de pretensas lutas. Estamos muito perto de termos a sede própria do nosso hospital universitário, sede essa que beneficiará não somente aos nossos estudantes e pesquisadores, mas a toda população de Pelotas e região. Vale sempre lembrar que a ampliação, após consolidados os serviços, pode (e deve) ser planejada.

É hora de somar e multiplicar, e não de subtrair ou dividir. A subtração ou divisão poderá, mais uma vez, inviabilizar nosso acalentado sonho! É isso que queremos?

Nessa luta, estamos todos do mesmo lado. O interesse de Pelotas e região é o mesmo: disponibilização de serviços de saúde de qualidade, 100% SUS.

Para que o sonho, e trabalho, de tantas administrações da UFPel e de nossa comunidade se viabilize, contamos com esforços conjuntos, dos diferentes atores e, principalmente, dos parlamentares que representam a nossa região. A soma de todos, certamente, será fundamental para que a proposta saia (finalmente) do papel.

Conclamo, assim, para que todas as pessoas se unam neste desafiador projeto de concretização da sede própria do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas: um patrimônio de toda comunidade pelotense e da zona sul de nosso estado!


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