Editorial

Notícias são essenciais

23 de Junho de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

É preocupante o recente resultado da pesquisa Digital News Report, realizada pelo Reuters Institute, sobre o consumo de notícias. Conforme o relatório, praticamente quatro em cada dez pessoas (38%) entrevistadas em 46 países afirmam estar evitando se informar. O cenário é ainda mais grave no Brasil. Por aqui, mais da metade da população (54%) desvia sua atenção dos noticiários. O percentual é o dobro de 2017 e o terceiro maior no mundo atualmente.

Embora existam outras razões apontadas pelas pessoas, o motivo mais comum para essa fuga das informações são os temas presentes nas manchetes, como a pandemia e as crises políticas, considerados repetitivos para 43%. Em seguida é citado como justificativa por 36% o fato de que as notícias “deixam para baixo”.

Não deixam de ser compreensíveis estes argumentos usados por cidadãos mundo afora que não estão acompanhando o noticiário. De fato, nos últimos anos, grande parte das nações vem enfrentando rupturas em suas estruturas políticas por conta de extremismos exacerbados e, naturalmente, isso ganha destaque. Assim como a Covid-19, por sua gravidade, também se impõe na cobertura jornalística.

Como mostra outro percentual da pesquisa, que indica dificuldade para 15% do público jovem (até 35 anos) no Brasil, Estados Unidos e Austrália em acompanhar o noticiário, há dificuldade por parte de muitos meios de comunicação em levar a informação a estas pessoas de forma atrativa, clara e didática. Sem isso, pautas complexas naturalmente ficam menos compreensíveis, reforçando a tendência de distanciamento. É ponto onde a imprensa em geral necessita refletir e centrar esforços para adaptar-se.

Contudo, no caso do Brasil, chama atenção ainda a queda vertiginosa no ranking de confiança no noticiário. Em apenas um ano, o país passou da quarta para a 14ª posição, com 48% das pessoas afirmando confiar na maior parte do tempo (seis pontos percentuais a menos que em 2021). Impossível, neste caso, deixar de relacionar com o esforço de políticos e governos em atacar e desqualificar o trabalho da imprensa livre, influenciando parte da sociedade a seguir esse caminho perigoso.

Apesar disso, reconhecendo necessários ajustes e adaptações, o jornalismo segue fundamental. Não fosse por ele, desde problemas e demandas dos bairros e cidades até escândalos como, por exemplo, o balcão de negócios no MEC ou a conduta da juíza que negou a interrupção de gravidez a criança de 11 anos jamais seriam de conhecimento geral. E saber dos fatos é essencial em qualquer sociedade. Só com o conhecimento da realidade é possível tomar posição sobre os rumos no presente e no futuro.


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