Editorial

Nossa Seleção não encanta mais

O time atual, o técnico atual e os resultados atuais deixam todos desconfiados

27 de Março de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Os cronistas esportivos não sabem mais responder qual o futuro da Seleção Brasileira de futebol. O time atual, o técnico atual e os resultados atuais deixam todos desconfiados, por mais apaixonado que alguém possa ser pelo trabalho de Luiz Felipe Scolari, o campeão do mundo com a camisa verde-e-amarela em 2002, que passou os últimos anos fechando grandes contratos e conquistando quase nada por onde cruzou. Felipão já não demonstra ser o mesmo do período em que apareceu para o mundo, montando times vencedores sem muitas estrelas, mas com garra impressionante.

A culpa do futebol que não encanta, é claro, não é dele. Felipão realizou apenas sua terceira partida desde a volta ao comando. Perdeu para a Inglaterra por 2 x 1, empatou com a Itália em 2 x 2 e empatou com a Rússia em 1 x 1 na última terça-feira. Bem diferente de seu antecessor, Mano Menezes, que realizou amistosos ridículos, contra países sem qualquer expressão, ele iniciou forte sua segunda passagem pela Seleção Brasileira, desafiando equipes de primeira linha. Se fosse um campeonato, porém, teria somado dois pontos em nove disputados. Aproveitamento pífio.

Enquanto o cronômetro da Copa do Mundo corre contra o Brasil, os estádios não ficam prontos e o time só provoca nariz torcido de quem não vê futuro em campo, fora dos gramados o deputado federal Romário, ex-campeão mundial e goleador dos times por onde passou, quer instalar uma CPI para investigar a polêmica Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Para ele, a entidade precisa passar por um pente-fino. O atual mandatário, José Maria Marin, herdeiro de Ricardo Teixeira, que abandonou o posto e enfrenta acusações internacionais, deveria ser preso, disse Romário pelo Twitter, após publicação na internet de vídeos em que uma voz, atribuída a Marin, garante participação e pede sigilo em negócios supostamente envolvendo a empresa BWA.

No plenário, Romário discursou forte: "O áudio ao qual me refiro é de uma nova gravação atribuída ao senhor Marin, enviando mensagens a interlocutores. Surpreendente, caros colegas parlamentares, mas, no linguajar típico de gângster, ele ameaça dois empresários e determina que nunca citem seu nome. Com esse tipo de declaração, Marin nos coloca de joelhos diante da corja que ele lidera e que, lamentavelmente, controla nosso futebol. Sem reação imediata estaremos concordando com a quadrilha e desmoralizando nossos mandatos. Que a Polícia Federal e o Ministério Público comecem a investigar os áudios disponíveis", declarou o deputado federal.

Em campo ou fora das quatro linhas, nossa Seleção e seus comandantes não convencem. A mudança de técnico parece não ter resolvido um problema maior, de gestão, que acaba refletindo no time que calça as chuteiras. Nenhuma mudança radical deve acontecer até a Copa do Mundo do ano que vem, mas parece cada vez mais necessário realizar profundas mudanças no nosso futebol.


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