Editorial

Nossa economia de fachada, dizem os ingleses

De acordo com jornal britânico, jeito de governar da presidente Dilma Rousseff atrasa e economia e o investimento

21 de Maio de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A imprensa repercutiu na segunda-feira (20) o editorial do jornal Financial Times. Para o veículo britânico, a sensação de que tudo está bem no Brasil é uma “fachada” e o jeito de governar “mandão” da presidente Dilma Rousseff pode ser interessante contra a corrupção, mas atrasa e economia e o investimento. Além disso, o Financial Times critica o formato das reformas (escolhas do Governo). Ao invés de serem amplas, são localizadas para agradar determinados setores.

Essa tem sido uma tendência nos últimos meses, em várias frentes que, ao que parece, cansaram de esperar por mudanças que não chegam ao ritmo esperado. O pulo rumo ao desenvolvimento, até aqui, é tímido e resumido a passos curtos. Na segunda, por exemplo, soube-se que economistas de instituições financeiras reduziram a perspectiva do crescimento da economia brasileira a menos de 3% pela primeira vez em 2013, revelou o boletim Focus do Banco Central.

“Corre o risco (o Brasil), mais uma vez, de frustrar imensas expectativas. A aparente sensação de bem-estar do Brasil é uma fachada. O crescimento da economia no ano passado foi de menos de 1%, pouco melhor que a zona do euro. Este ano, o Brasil está crescendo menos que o Japão. A inflação está corroendo a confiança do consumidor e há uma sensação de mal-estar. A causa é o abrandamento do investimento, tendência que começou em meados de 2011 e continua. Mais investimento é exatamente o que o Brasil precisa para manter os empregos e tornar-se a potência global a que aspira ser”, avalia o editorial.

O jornal sugere ao país uma corrida para aproveitar a oferta de capital internacional, neste momento barato e abundante, como forma de aumentar o investimento na economia.

As nações latino-americanas vizinhas costumam aplicar ainda 24% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto no Brasil o investimento corresponde a 18% - e são quase 30% nos países da Ásia. Um problema antigo, lembra o Financial Times, de quem já passou pelo Governo. “Brasília deve ter grande parte dessa culpa. A extravagância do modelo econômico impulsionado pelo consumo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se esgotou. O modelo Dilma, apesar dos primeiros sinais promissores, está provando (apenas) ser um pouco melhor”, completa a análise.

A falta de foco do governo brasileiro na infraestrutura também é destacada. Enquanto o Brasil pretende captar bilhões de dólares para construir novos portos, aeroportos, viadutos e estradas, de forma surpreendente o atual marco regulatório não é apropriado para permitir a construção dessa nova infraestrutura. Por isso, para o veículo, o dinheiro vem sendo deixado sobre a mesa desnecessariamente.

“O Brasil precisa desesperadamente de mais investimento. O baixo nível da poupança interna significa que grande parte desse financiamento deve vir do exterior. O capital está barato no momento, mas não será para sempre. O Brasil tem uma grande janela de oportunidade. Dilma Rousseff e seu governo precisam fazer as coisas acontecerem enquanto essa janela segue aberta”, avalia o FT.


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