Ponto de Vista

No quinto dos infernos

Se nos reportarmos ao Brasil Colônia podemos perceber que de bobos nada tinham os portugueses, pois deixaram uma herança maldita aos governantes que os sucederam no que se refere à cobrança de impostos

22 de Março de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

João Renato Weigert, licenciado em Geografia

Se nos reportarmos ao Brasil Colônia podemos perceber que de bobos nada tinham os portugueses, pois deixaram uma herança maldita aos governantes que os sucederam no que se refere à cobrança de impostos.

Na época da Inconfidência Mineira o impostômetro já estava de vento em popa com o chamado Quinto, pois era cobrado esse percentual sobre todo o ouro extraído das minas. A derrama de impostos exercida pela Corte Portuguesa fez com que surgisse o Mártir da Independência, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Tiradentes lutou contra a carga tributária colonial, acabou humilhado e esquartejado em praça pública. Hoje esse homem estaria conformado pelo preço que pagou por sua morte através do quinto, pois, o trabalhador brasileiro paga mais de dois quintos de seus salários em impostos, ele morreu por um quinto.

A expressão para o quinto dos infernos surgiu dessa passagem histórica, pois realmente é um inferno ter que pagar impostos abusivos. Nossa carga tributária é composta por mais de 60 tributos federais, estaduais e municipais.
Por que pagamos tantos impostos? Já ouvi de alguém: "Para rechear cuecas de parlamentares corruptos".

O que muito se discute é o destino dos impostos arrecadados. No Brasil Colônia o quinto era enviado em sua maior parte para Portugal. O que nos faz pensar dos atuais royalties do petróleo que está gerando tanta discussão e desconfiança?

Vamos relembrar do escândalo em Presidente Kennedy no estado do Espírito Santo, cidade que exibe ricas jazidas de petróleo e que políticos influentes estavam envolvidos? Este município é um grande arrecadador na coleta de royalties.

Nesse episódio existia um contrato para a prefeitura no valor de R$ 1,93 milhão para abastecer 37 automóveis durante o ano de 2012. Pasmem, se o consumo médio fosse de dez km por litro, cada veículo daria três voltas no planeta. A frota da prefeitura daria 111 voltas ao redor do mundo.

O ordeiro povo brasileiro espera há muito tempo com paciência um Brasil de tributação mais igualitária, não esse país de dois quintos dos infernos.

Para o quinto dos infernos temos que mandar os maus políticos, as fraudes, os desperdícios, a corrupção, para chegarmos à tão sonhada equalização dos custos aos benefícios e sermos contemplados com dignidade na educação, na saúde e na segurança.


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