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Natal da prudência financeira

29 de Novembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: João Carlos M. Madail, conselheiro do Corecon RS e Diretor da ACP Pelotas

Os brasileiros não têm muito a comemorar no ano que está terminando e tão pouco no que iniciará em 2022. Afinal são 14,8 milhões de famílias desempregadas, segundo o PNAD Contínua, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Soma-se a este grupo o grande contingente dos chamados brasileiros invisíveis, aqueles que circulam pelas cidades, dormem nas praças e sobrevivem de ajudas e do que encontram nas lixeiras. Estes brasileiros não conseguirão comemorar o Natal, réveillon e Ano Novo como gostariam, pois lhes faltará dinheiro para adquirirem o mínimo desejado. Os demais que mantiveram os empregos, somados aos recém contratados, poderão planejar as suas finanças e comemorar as festas natalinas da forma que for possível. Antes, porém, é importante planejar ações, considerando que os recursos são escassos e os desejos ilimitados.

O planejamento dá uma perspectiva clara sobre o que precisa ser feito, numa situação inusitada. Quando a pessoa se planeja com antecedência para determinado acontecimento, consegue estar a alguns passos à frente da execução, contando com tempo hábil para se preparar e realizar todas as ações necessárias para tal evento. Para terminar bem o ano é preciso dar um fim às contas em atraso. Aproveite a segunda parcela do décimo terceiro salário para cumprir compromissos deixados para trás. O ano termina, mas as contas não. É hora de listar o que você pretende ou precisa comprar e verificar se tudo isso vai caber no seu orçamento.

Os primeiros meses do ano novo costumam ser pesados, porque há um acúmulo de impostos (IPTU, IPVA, material escolar, matrículas, seguros, valores dos Conselhos de Classes e outros. Antes de você se jogar nas festas de Ano Novo, tenha a certeza de que reservou o dinheiro suficiente para cumprir os compromissos inadiáveis. Cumprida a etapa dos pagamentos vencidos e dos que irão vencer no início do próximo ano, é hora de planejar sobre o recurso que restou. Pense de forma estruturada. Aconselha-se que você liste o número de presentes a serem comprados. Nem sempre é possível presentear a todos, estabeleça um limite de gasto e priorize os beneficiados. Inclua na sua agenda algo que não seja um presente físico, mas um gesto carinhoso que o substitua. Melhor ter bom senso do que culpa por algo que estava fora da sua possibilidade financeira. Evite começar o novo ano endividado.

Segundo pesquisa da Fecomércio-RS sobre endividamento e inadimplência dos consumidores gaúchos, 81,9% da população gaúcha tem algum tipo de endividamento, o que representa uma máxima histórica desde janeiro de 2010. É comum nos finais de ano os agentes do comércio apelarem para o incentivo emocional ao consumo. "Compre e ganhe brindes, adquira mais produtos e concorra a prêmios, compre um e leve dois, parcele suas compras e só comece a pagar no Carnaval". Para muitos é difícil resistir a tais apelos. Ao mexer com as emoções das pessoas, o marketing varejista ajuda a criar necessidades de consumo até então inexistentes.

O Brasil de hoje ainda tem uma taxa de juros considerada baixa em relação a 20 anos atrás, quando a inflação descontrolada obrigava as pessoas a comprarem logo o que precisavam, o que não ocorre no momento. Outra questão importante é que o brasileiro não tem o hábito de poupar, seja pelo recurso escasso que recebe ou simplesmente por falta de incentivo, quando lhes sobra algum dinheiro. Manter um pouco de dinheiro como reserva, quando for possível, para atender possíveis emergências, proporciona ao detentor liberdade de correr mais riscos ou tentar inserir novos projetos em sua vida. Ao construir uma reserva para lidar com imprevistos, você tem ainda mais poder de negociação, o que o mantém longe de altos juros e multas decorrentes de atrasos em pagamentos.

Enfim, cada um sabe o tamanho do seu bolso e das suas necessidades. Prudência nestas horas para parar, pensar e agir, não faz mal a ninguém.

 

 


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