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Nascer e morrer - Entendimento e equilíbrio

23 de Janeiro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Rogério Nascente, Blog Certas Palavras

A morte é um tema que sempre causa comoção. “A única coisa que é certa na vida”, é dito corriqueiramente. É o momento de despedida, quando alguém parte e separa-se daqueles que ficam a lamentar a sua ausência. Muitos de nós preferem não pensar no assunto, com receio de “trazer azar”. Defrontam-se com ele apenas quando se torna inevitável, como em casos, por exemplo, de doenças incuráveis ou da velhice do corpo, a qual aos poucos conduz ao rumo da partida inevitável. Muitas vezes, a morte aparece de surpresa e nos afasta, de forma abrupta, daqueles que tínhamos a ideia de poder conviver por muito tempo ainda. De toda forma, não podemos negar que é algo natural. Mais dia, menos dia, desta ou daquela maneira, ela passa por onde estamos. Não precisamos, todavia, viver assombrados com tal ideia ou temerosos. É fundamental, outrossim, que aprendamos a lidar com este fato marcante que denominamos de morte.

Por que chamamos de “fato marcante”? Porque, observando de forma simplificada, ficaremos no mundo físico, como espíritos encarnados (utilizando um corpo físico), justamente no período entre dois momentos marcantes: o de encarnar e o de desencarnar - comumente chamamos de “o de nascer e o de morrer”. O “nascer” ocorre no momento em que, através do parto, reingressamos de vez no mundo material - ao final da gestação, período em que o espírito ligado ao novo corpo em formação prepara-se para a nova jornada que em seguida terá início. O “morrer” ocorre quando o espírito se desliga completamente do corpo físico que utilizou como vestimenta, enquanto este apresentava possibilidade de reter fluido vital - no momento em que o corpo, por qualquer avaria, não tem como “funcionar” adequadamente, o perispírito (corpo espiritual que o espírito mantém) é dele desligado totalmente, passando o espírito a viver no plano espiritual, como desencarnado, despojado do corpo material.

O “nascer” e o “morrer” são, portanto, dois fatos naturais que compõem, entre outros, cada uma das existências físicas que os espíritos necessitam experienciar, no seu processo evolutivo, rumo à pureza espiritual - destino de todos. A reencarnação é a maneira que o Criador encontrou de possibilitar que, através de nossas próprias decisões e ações, possamos desenvolver as nossas potencialidades intelectuais e morais, rumando, passo a passo, para a felicidade plena que nos espera - conquistada por merecimento e não de forma aleatória, porque a obra divina é perfeita.

Antes de “nascer”, amigos espirituais nos ajudam a elaborar o programa que precisamos desenvolver no mundo físico, o qual abarca as nossas necessidades e também as nossas possibilidades. “Deus não dá a ninguém fardo maior do que possa carregar”, é outra frase que costumeiramente ouvimos. No mundo físico, somos recebidos e passamos a desempenhar as nossas tarefas, a dar novos passos na caminhada evolucional.

Um dia, chega a hora de “morrer”. A hora do afastamento temporário daqueles com quem convivemos enquanto estivemos por aqui, no mundo físico. Temporário, porque Deus não separa quem se ama. Mais adiante, no momento adequado - tudo em seu tempo certo -, haveremos de nos reencontrar com aqueles que tivermos afinidade, para“matar a saudade” e, se possível e necessário, organizar novos projetos.

Quando entendemos esta relação entre “nascer” e “morrer”, passamos a ser capazes de agir melhor em relação a estes dois momentos marcantes. Devemos receber com amor a quem está chegando do mundo espiritual, a fim de viver por aqui as suas novas e necessárias experiências, auxiliando, da melhor forma, para que, durante a sua existência física, alcancem o êxito esperado. Somos todos irmãos, ajudemo-nos mutuamente, evoluamos juntos. Da mesma forma, ajamos com equilíbrio em relação àqueles que partem, no retorno ao plano espiritual. Enviemos a eles as nossas melhores energias, os nossos mais nobres pensamentos, a fim de que se fortaleçam e prossigam sem receios, cientes de que são amados nos dois planos da vida e de que estão, a partir do desenlace do corpo físico, voltando para casa - outra vez.

Estes esclarecimentos nos são trazidos pela Doutrina Espírita, codificada pelo educador, escritor e tradutor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), o qual é conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec.


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