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Mudar para sermos parte do futuro da biosfera

22 de Fevereiro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Neiff Satte Alam, professor universitário e biólogo

"...A tragédia do desenvolvimento e o subdesenvolvimento do desenvolvimento, a corrida desenfreada da tecnociência, a cegueira que o pensamento parcelar e redutor produz, tudo isto nos lançou na aventura descontrolada." Edgar Morin

Não tanto pela questão da tecnociência, mas principalmente em relação a baixa visão sobre "pensamento parcelar e redutor" é que nos desencontramos da realidade urbana e a incapacidade de entender que há uma natural necessidade de entendermos os caminhos das águas de superfície - bacias hidrográficas, que vêm sendo ignoradas há muitas décadas quando estendemos as áreas urbanas sobre e/ou muito próximas aos leitos dos rios, arroios, riachos, e outros cursos de água sobre a superfície; a importância das matas ciliares, nas encostas dos morros e junto às nascentes e a não menos importância de uma biodiversidade respeitada nas zonas urbanas e rurais.

Esta reflexão, que não é nova, acontece no momento em que as cidades brasileiras estão sofrendo cheias extremamente graves em razão de chuvas, que não são tão diferentes das de algumas décadas atrás, mas que estão determinando graves e frequentes problemas às pessoas que habitam em áreas antes de domínio destes cursos d'água.

Não é a água que invade a cidade, mas a cidade que invade o leito dos rios. Não são as montanhas que deslizam sobre as residências soterrando-as e, muitas vezes, as pessoas que ali residem, mas são os desmatamentos das encostas e construções destas habitações nestes locais que determinam estas destruições.

Há muito tempo, mesmo com reações contrárias, muitas vezes agressivas, vem-se alertando para estes tipos de consequências. Lá atrás dizíamos que era importante uma sustentabilidade sócio/econômica/ambiental prevista nas legislações para que se garantisse um futuro mais harmônico com a natureza, mas as mentes toscas, oportunistas, puramente economicistas e ainda cegas pelo desconhecimento das mínimas regras naturais insistiram em seguir seus propósitos de puro reducionismo.

Vendo as tragédias em tempo real em razão de um importante avanço tecnológico dos meios de comunicação, pensamos e questionamos: "- Não seria o caso de revermos todas as ideias e regras atuais de urbanização? Caso contrário, um caos irreversível onde o novo sistema ecológico planetário, por força de uma natural auto-organização, terá excluído a espécie humana em razão de ser incompatível com o novo sistema!"


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