Editorial

Morrer trabalhando

24 de Abril de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

No mundo, 36% dos trabalhadores atuam em jornadas de longa duração, bem além de 48 horas por semana. Isso ocorre principalmente porque o modelo de trabalho do século 21 mudou. Hoje, atua-se de maneira diferente, com mais tempo dedicado ao exercício das atividades, através do uso de novas tecnologias.

Uma tendência com reflexos diretos na saúde do indivíduo. O mais atual relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), tornado público este mês, revelou que estresse, longas jornadas laborais e doenças contribuem para a morte de quase 2,8 milhões de trabalhadores todos os anos. Além disso, 374 milhões de pessoas ficam doentes ou feridas por conta de suas ações profissionais.

No relatório, a agência destaca que nenhum trabalho deve ameaçar o bem-estar, a segurança ou a vida do indivíduo, e identifica os riscos de crescente preocupação, que afetam mais as mulheres. Entre eles, práticas modernas de atividade, crescimento da população mundial, aumento da conectividade digital e mudança climática, que podem representar perdas de quase 4% da economia global.

Segundo o levantamento, a maior proporção de mortes relacionadas ao serviço (86%) tem relação com doenças. Em torno de 6,5 mil pessoas perdem a vida todos os dias por doenças ocupacionais e cerca de mil morrem em acidentes ocupacionais fatais. As maiores causas de mortalidade são doenças circulatórias (31%), câncer relacionado ao trabalho (26%) e doenças respiratórias (17%).

E aqui o organismo chama a atenção dos países: é preciso reconhecer, além do custo econômico, o grande sofrimento humano que essas doenças e acidentes causam. Mais ainda, que muitas poderiam ser evitadas.


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