Editorial

Momento de baixar a tensão

17 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

O Brasil está completando quase uma década em que a crise entranhou-se na vida política do país e, por consequência, aderiu ao cotidiano da população, causando _ e potencializando _ uma série de outros transtornos vistos e discutidos diariamente sem perspectivas de solução. Desde 2013, no já distante governo Dilma Rousseff (PT), um misto de insatisfação popular com a falta de soluções definitivas em áreas como saúde, mobilidade urbana e segurança pública, por exemplo, somou-se a esforços incendiários de grupos interessados em obter ascensão eleitoral e entornou o caldo do debate público sobre o que realmente importa.

De lá para cá, passando pela reeleição de Dilma, protestada pelo derrotado Aécio Neves (PSDB), pelo impeachment da petista e sucedâneo governo temporário de Michel Temer (MDB) e, finalmente, pela vitória de Jair Bolsonaro (então PSL, hoje no PL) em 2018 sem participar de debates e com seu principal adversário preso, uma divisão que era perceptível nas discussões sobre grandes temas acentuou-se a ponto de gerar figadais conflitos em que não há tentativas de consensos, mas sim busca por brechas para eliminação do contrário.

A menos de nove meses do primeiro turno da eleição, o cenário existente no Brasil atual é comparável ao de movimentos de exércitos ao precederem guerras. Com a particularidade de que batalhas menores _ mas não irrelevantes _ são travadas diariamente. Ataques verbais e institucionais são disparados como disparos de projéteis traçantes que vemos cruzar o céu. Da esquerda para a direita, da direita para a esquerda. Até dentro das mesmas trincheiras há bombardeios. No meio disso tudo, o eleitor que já está ao lado de algum destes exércitos sabe apenas o que não quer: a vitória do adversário. Contudo, a maioria da população ouve apenas os ruídos dos ataques e, até o momento, pouco ou nada sobre o que pode e deve ser feito tanto para acabar com estes conflitos quanto para tocar a vida do país a partir de janeiro de 2023. Planos, projetos, ações a serem tomadas, tudo está em segundo plano.

Em meio a essa alta tensão, são as instituições democráticas as responsáveis por mediar conflitos e puxar candidatos à realidade do que precisa ser discutido em uma eleição. Entre estas instituições está a tão irracionalmente atacada imprensa. Cabe aos veículos de comunicação sérios e jornalistas profissionais informar, apurar e cobrar que a política e os políticos em 2022 mostrem o que podem fazer pelos cidadãos. Mesmo que isso eventualmente desagrade ao (e)leitor de candidato A hoje e ao do candidato B amanhã. O momento do escrutínio sério, sem paixões, já começou. Só assim daremos todos, como sociedade, demonstração de maturidade e responsabilidade com o país, o Estado, as cidades. Não caiamos no jogo de quem só ganha com a tensão permanente.


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