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Modelo de desenvolvimento para o Brasil

26 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: João Carlos M. Madail, conselheiro do Corecon RS e diretor da ACP

O atual modelo de desenvolvimento adotado na quase totalidade dos países capitalistas é o modelo neoliberal, uma espécie de doutrina econômica e política que surgiu no século 20 com base em teorias formuladas por teóricos como o economista ucraniano Ludwig Von Mises, baseada na propriedade privada dos meios de produção e sua operação com fins lucrativos. Essa teoria surgiu para se opor à teoria keynesiana de bem estar social, uma concepção que abrange a área social, política e econômica e que vê no Estado uma instituição que tem por obrigação organizar a economia e prover o acesso a serviços básicos como saúde, educação e segurança.

O Brasil embarcou de vez na esteira do neoliberalismo, com resultados positivos para o desenvolvimento capitalista que iniciou nos governos de Fernando Henrique Cardoso e se aprofundou na sequência dos governos Lula e Dilma. Com o tempo, e agravado com a pandemia, este modelo tem se mostrado gerador de desigualdades, concentrador de riquezas, ambientalmente indesejável, socialmente perverso e politicamente injusto para as pessoas nele inseridas. O Brasil nunca esteve tão desigual como nos tempos atuais. O Estado pouco interfere na economia para evitar a retração econômica e garantir o pleno emprego. O que prevalece são a economia de mercado onde as decisões relativas a investimentos, produção e distribuição são guiadas pelos sinais de preços, criados pela lei da oferta e da procura.

O modelo ideal de desenvolvimento para o Brasil tem que ter na sua essência o cumprimento das necessidades básicas do seu povo com a participação direta da população e que busque a garantia de emprego, segurança social, educação pública básica para toda a população, respeitando as diversidades. O modelo sugerido deve atender as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a existência das futuras. A mudança do modelo atual de desenvolvimento, no país, requer esforço coletivo da população politicamente consciente e segura na escolha do seu governante, no momento que se aproxima nova eleição, onde os candidatos têm a oportunidade de expor os seus planos de governo. Alguns países bem sucedidos em termos de desenvolvimento econômico, mesmo mantendo o capitalismo como sistemas predominantes, adotaram modelos de economia social de mercado, onde o consenso e a cooperação estão presentes em todas as camadas. A Alemanha, por exemplo, se reergueu no pós-guerra com este tipo de modelo, onde o trabalho e o bem-estar funcionam juntos, o que resultou na redução da distância das camadas ricas em relação às pobres.

No modelo de desenvolvimento que se intitula "economia social de mercado", no centro estão sindicatos e patrões, que coordenam salários e produtividade, com o objetivo de obter aumento real aos rendimentos dos funcionários, além de manter postos de trabalho. Por lá os sindicatos fazem parte por lei dos conselhos de administração e participam das decisões estratégicas das empresas.

Existem outros exemplos de modelos que poderiam ser implantados no Brasil que certamente proporcionariam mudanças benéficas para a população. Alguns países no norte europeu como Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca também optaram pelo modelo e desenvolvimento econômico que associa o socialismo ao capitalismo, onde combinam o sistema de livre mercado com diversos programas sociais, resultando em educação e saúde gratuita para todos e programas de aposentadoria garantida para os trabalhadores.

O certo é que economia, trabalho e bem-estar precisam funcionar conjuntamente e o governante tem que ter, necessariamente, o controle de todos os movimentos da economia. Enquanto mantivermos o atual modelo de desenvolvimento adotado no Brasil, as grandes corporações multinacionais e financeiras continuarão dominando a economia e promovendo o controle de mercados, levando o país ao subimperialismo.


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