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Mestre, qual é o mais importante de todos os mandamentos?

24 de Outubro de 2020 - 15h14 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Ramacés Hartwig, reverendo da Igreja do Salvador – Rio Grande

Sendo um bom Mestre e um ótimo Pedagogo, Jesus dá Sua resposta(encontrada no Evangelho para hoje em Mt 22,34-40) a partir (novamente) da pergunta de um “professor da Lei”. A (má) intenção (oculta) deste homem (escondida por trás da “inocente pergunta”) está no fato de tentar colocar Jesus em contra-dição, ou seja, fazer com que Ele se confundisse e se desdissesse, a partir de Seus próprios ensinamentos. Entretanto, e como sempre, Jesus transforma o “limão em limonada”.

Com toda a certeza, e pelo fato do homem ser “um escriba” (jurista com profundo conhecimento das leis judaicas), ele deveria saber “de cor” os 663 preceitos legais, a Lei de Moisés (a Torah) e, particularmente, os DEZ MANDAMENTOS (que Moisés recebeu de Deus no Monte Sinai). Aliás, como bom judeu e excelente mestre, Jesus afirma que estas Dez Palavras resumem TODA A LEI E OS PROFETAS !

Nota-se que destas dez, sete são proibitivas e três propositivas, ou seja, o imperativo da LEI não é facultativo, portanto, o que a LEI DETERMINA deve-se obedecer e cumprir. Aliás, já diz um ditado popular: “manda quem pode e obedece que tem juízo!” Contudo, mesmo com o rigor das leis e a necessidade de cumprimento das mesmas, existe a LEI DO BOM SENSO. Deve-se lançar mão desta, quando aquelas determinam algo imoral, antiético ou contraditório com a verdade e a justiça, além de profundamente comprometedoras da ordem e do bem estar social. Nestes casos o/a julgador/a deve usar a LEI DO BOM SENSO (da verdade com justiça divinas) como critério para julgar aquelas (do direito e da legalidade humanas).

Quando estudante de direito (na FURG na década de 80) fiz duas descobertas jurídicas que se tornaram grandes decepções e me fizeram abandonar a carreira judiciária: 

1) quando descobri que o sistema judiciário não pergunta pela JUSTIÇA e sim pelo direito. Portanto, uma decisão/sentença pode ser totalmente imoral, injusta, antiética e antissocial... mas, sendo legal deve ser cumprida;

2) quando conheci o ditado jurídico: “para os inimigos os rigores da lei; para os amigos os favores da lei; para os indiferentes, a lei”!

Talvez isto nos ajude a entender (mas sem concordar) o que temos visto e assistido nos últimos dias a partir dos tristes episódios e lamentável decisão legal através da qual um ministro do STF (cumprindo a LEI) concedeu liberdade a um dos maiores traficantes da atualidade. O culto e jurisprudente ministro não foi capaz de avaliar, a partir do BOM SENSO, alguns fatores, tais como: I) a periculosidade do réu (já condenado em outros processos); II) o risco social de seu retorno às atividades criminosas; III) a IN-JUSTIÇA perante milhares de pessoas cujos processos se acumulam em mesas e arquivos dos fóruns e, finalmente, IV) a vergonha internacional que a sua sentença causou, ao desmoralizar o Brasil e ridicularizar as forças policiais (conforme outro ditado: “a polícia prende, a justiça solta!”)

Ao finalizar este evangélico ensinamento, é Jesus quem coloca acima da LEI E DOS PROFETAS, a prática da LEI DO AMOR. Esta é a única LEI que renova a vida e refaz as relações baseada na prática da justiça, da verdade e do BOM SENSO.

A proposta de Jesus é “muito simples”:

AME os outros como você ama a você mesmo !


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