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Mercado Público

Já tivemos um mercado assim, exatamente como hoje é o mercado de Porto Alegre e de Montevidéu e tantos outros que chegam a ser pontos turísticos como a Boqueria nas Ramblas de Barcelona, de onde os turistas voltam maravilhados

14 de Dezembro de 2012 - 05h15 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: José Rodrigues Gomes Neto, advogado

Em quase todas as cidades por aonde ando, mesmo no exterior, tenho por costume visitar o mercado público.

São, na verdade, centros comerciais formados por bancas, que vendem, em sua grande maioria, produtos alimentícios.

Obedecem, em geral, a uma destinação determinada pelo poder público correspondente, hoje chamada mix.

Vale dizer, as autoridades, considerando a área, a localização e os fatores proporcionais ao tamanho da cidade, escolhem o que cada uma das bancas pode transacionar.

Mas, destinam também uns poucos espaços onde funcionam lojas que vendem artesanatos e bazar, outras, quase sempre externas, para instalação de barbearia, instituto de beleza e até mesmo pequeno comércio de roupas, na mais das vezes típicas do lugar.

Normalmente, neles funcionam restaurantes que são pontos obrigatórios de quem visita a cidade.

Porém, fundamentalmente, ali comercializam alimentos de grande diversidade, desde os mais simples aos mais sofisticados, assim como produtos dos mares, rios (frescos ou defumados) e igualmente açougues.

Não é raro também que neles se encontrem produtos hortifrutigrangeiros.

Já tivemos um mercado assim, exatamente como hoje é o mercado de Porto Alegre e de Montevidéu e tantos outros que chegam a ser pontos turísticos como a Boqueria nas Ramblas de Barcelona, de onde os turistas voltam maravilhados. Chegam a destinar um dia em seu passeio para conhecer o mercado.

O nosso mercado, talvez os mais jovens não saibam e os mais velhos, quem sabe, esqueceram, primava por um mix que hoje seria considerado moderno e, ao mesmo tempo, identificado com os tempos idos.

A nossa banca do peixe, no lugar onde ainda está, tinha depósitos, com fundo de mármore, onde o pescado ficava exposto no meio do gelo, que a cada momento era renovado, despertava, no freguês, a vontade de adquirir aquela mercadoria tão apetitosa.

Quem entrava pela rua Andrade Neves, no pátio que está à direita, encontrava as bancas dos produtos rurais e ali adquiria legumes, frutas etc de qualidade superior.

Na parte de fora do mercado estavam as barbearias, os bares e o famoso restaurante Pátria, que era ponto obrigatório e abrigo dos boêmios nos finais de noite. Ali bebiam, na madrugada, a última e iam para casa descansar.

Em 1969 o mercado sofreu um incêndio que o destruiu quase por inteiro, sobraram apenas as paredes externas.

Nessa ocasião, houve um movimento para que se desse fim ao mercado, em definitivo. Graças ao professor Francisco Alves da Fonseca, prefeito da cidade, então, o mercado foi reconstruído e preservado, embelezando o centro da cidade.

Não sei bem em que momento o mix do mercado ficou descaracterizado, mas o fato é que deixou de ser o que era.

Agora, ele está em fase de recuperação, inclusive as bancas foram todas desocupadas e, ao que me consta, o interior já está pronto, faltando somente a parte de fora.

Já vi um projeto de mix que me deixou um pouco preocupado, pois me pareceu desatender as regras básicas a que me referi acima. Entretanto, no programa 13h, pessoas encarregadas da reforma deram explicações que me tranquilizaram.

Tomara que minha preocupação seja infundada e que as cousas aconteçam de acordo com a explicações no programa.

Essa preocupação não foi só minha, muitos outros manifestaram igualmente suas apreensões.

Espero que o mercado renasça para a finalidade que é peculiar a esse tipo de empreendimento e que ele venha a ser, como acontece em muitas cidades, um foco de interesse turístico.


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