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Meio ambiente: a Pelotas que queremos bem... diferente

11 de Agosto de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marcelo Dutra da Silva, ecólogo - dutradasilva@terra.com.br

Enquanto aguardamos pela sanção do novo Plano Diretor, que acabou passando batido pela Câmara de Vereadores, com alterações severas no texto que fragilizaram a estratégia de conservação dos remanescentes naturais do entorno urbano... Questiono se esta decisão, entre outras tantas, em desfavor da natureza, não deveria ser revista ou no mínimo reavaliada. Mais do que isso, não será o momento de questionarmos, também, as decisões não tomadas pela administração pública, particularmente quando se trata de nossas prioridades ou necessidades mais urgentes. Afinal, pagamos impostos e por conta do abandono do governo, vivemos expostos ao perigo.

Falhas no saneamento básico atingem a todos e todos os dias, seja pelas deficiências na rede coletora, que ao não alcançar todas as casas mantém valetas a céu aberto, sobretudo onde a comunidade é mais carente; seja pela presença de emissários, que rasgam a cidade transportando o esgoto, numa associação enjambrada com a drenagem, que além de pouco eficiente para volumes acentuados de chuva, quando transborda nos expõe ao risco da contaminação; sem falar no tratamento de esgoto que opera com muita dificuldade, deixando que boa parte do efluente gerado seja despejada, ao natural, nas águas que nos rodeiam. Ou alguém ainda se surpreende com os péssimos resultados de balneabilidade da praia do Laranjal?

Precisamos acordar! Pelotas está doente e devemos cobrar uma atitude mais republicana, no mínimo, mais responsável daqueles que se colocaram pelo voto, no legítimo papel de nossos representantes. Tanto o prefeito quanto os vereadores foram eleitos para servir o povo e cabe ao povo exigir o máximo de qualidade no serviço público prestado. Fazer vistas ou aceitar os erros da má administração não é a única alternativa. Aliás, é justamente por isso que precisamos de vereadores atentos e comprometidos com a função legislativa.

População que aceita o mínimo e não se envolve está fadada a viver à margem, na mais completa ausência do Poder Público, sob condições de saneamento que se agravam a cada ano, numa cidade que cresce de forma desordenada, sob a ótica do avanço urbano que destrói os ambientes de margem, as áreas de preservação permanente protegidas por lei e o pouco do que sobrou do espaço natural de entorno.

Não há a menor dúvida, não estamos sabendo cuidar da nossa casa e precisamos trabalhar por algo novo e diferente, que se expresse por mais atenção e qualidade ao cidadão pelotense. Reinventar Pelotas passa pelo compromisso de todos, num esforço conjunto entre representantes e representados, de expectativas e promessas mais aproximadas da realidade, onde servir ao povo deixe de ser uma expressão exclusiva do discurso.

A Pelotas que quero diferente deve planejar mais, ser eficiente e focada nas prioridades do bem-estar coletivo. É inaceitável que não se cumpra a lei ou que se disponha de forma contrária ao nosso direito constitucional de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, o qual se impõe ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Na verdade, a Pelotas que todos nós queremos diferente depende, e muito, da tua boa vontade em contribuir e participar do dia a dia político da cidade.


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