Editorial

Longe demais de quem precisa

14 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

A notícia de que finalmente a vacinação de crianças entre cinco e 11 anos de idade havia sido autorizada no Brasil, após semanas de injustificável esforço de procrastinação por parte do governo federal, animou pais e mães que esperam ansiosamente pela oportunidade de levar seus filhos para receber as doses e ter a família toda protegida contra os piores efeitos do coronavírus. Se tudo correr como previsto pelo governo do Estado, na próxima quarta-feira, dia 19, as injeções começarão a ser aplicadas, uma vez que os primeiros lotes com os imunizantes infantis da Pfizer começaram a desembarcar.

Em Pelotas, no entanto, a satisfação de saber que falta pouco para a vacina chegar ao braço das crianças chegou acompanhada de certa surpresa por parte de muitos responsáveis pelos pequenos. Isso porque, ao contrário do que tem ocorrido com a aplicação em adultos, disponibilizada já há algum tempo em praticamente todas as Unidades Básicas de Saúde, as doses para o público infantil ficarão concentradas em apenas um local: a Unidade Básica de Atendimento Imediato (Ubai) Navegantes.

Se, por um lado, para os moradores deste bairro da Zona Leste e localidades próximas o acesso estará facilitado, para muitas pessoas que vivem nas demais regiões da cidade a decisão da Secretaria Municipal de Saúde causou estranheza, como mostra reportagem na página 7 desta edição. Afinal de contas, a maior parte da população ficará bem distante do ponto de vacinação. Um exemplo bem claro do quanto a escolha por um ponto único pode ser um transtorno é o hipotético caso de uma mãe que viva no Sítio Floresta, na Zona Norte, e precise levar seu filho até a Ubai Navegantes. Ela precisará atravessar toda a cidade, percorrendo cerca de 15 quilômetros até o único ponto disponível para imunização. Se esse trajeto depender do transporte coletivo, o tempo previsto para deslocamento é em torno de uma hora e meia. Ou seja, somando ida e volta, são três horas em trânsito com o(s) filho(s). Caso precise esperar em uma fila - o que é bastante provável por ser ponto único - o tempo usado pode ser ainda maior.

Evidentemente a secretaria tem suas razões para que houvesse a definição somente pela Ubai Navegantes. Contudo, isso não exclui a aparentemente óbvia tendência - e por enquanto, sem o início da vacinação, é só uma tendência - de que isso se confirme como um grande problema para as famílias que vivem longe do ponto de imunização. Ficará difícil para muitas delas conciliarem a importância de vacinar com a necessidade de trabalhar, por exemplo, se só tiverem como opção atravessar a cidade. Certamente muitas farão esse esforço, bancarão este desgaste. Mas será que não há outra forma que facilite mais a vida de pais e filhos na hora de se protegerem da Covid?


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