Joaquim Barbosa: um atirador de elite

O presidente do Supremo Tribunal Federal tem demonstrado precisão nos “tiros” que dá; em resposta ao ministro ocorreram reações no Poder Legislativo

23 de Maio de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Carlos Dirnei Fogaça Maidana, colaborador

Se o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), não estivesse enveredado para a área do Direito, com certeza seria um exímio atirador, pois tem demonstrado precisão nos “tiros” que dá, ou seja, nas afirmações que profere.

Em recente palestra a estudantes, em Brasília, o ministro ao analisar o sistema presidencialista, a divisão entre os poderes e o modelo eleitoral, fez severas críticas ao sistema político brasileiro.

Ao analisar os partidos políticos brasileiros o presidente do STF disse: “Temos partidos ‘de mentirinha’. Nós não nos identificamos com partidos que nos representam no Congresso. Tampouco esses partidos e seus lideres têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder”. Acertou na mosca.

Ao mirar em outro alvo, o resultado não foi outro, de novo “na mosca”, ao considerar que o Congresso é submisso ao Poder Executivo, disse: “O Congresso é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. As maiorias, as lideranças do Executivo que opera, fazem com que a deliberação prioritária do Congresso Nacional seja sobre matérias do interesse do Executivo”.

Em resposta à assertiva do ministro ocorreram reações no Poder Legislativo como no caso do presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves alegando que “a declaração foi desrespeitosa e que não contribui para a harmonia constitucional”.

O que causa indignação e que merece profunda avaliação da sociedade é a estratégia dos deputados e senadores que pretendem deixar a poeira baixar e evitar transformar o episódio em mais um embate entre os dois poderes.

A ideia (covarde) do Congresso é evitar declarações institucionais e deixar que os parlamentares se manifestem individualmente, ou seja, cada um dos deputados e senadores estão encarregados de descaracterizar as acertadas afirmações de Joaquim Barbosa.


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