Opinião

Inovação e desenvolvimento

21 de Outubro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Ezequiel Megiato, Escritório de Desenvolvimento Regional - UCPel

Muito se questiona sobre o que, de fato, gera riqueza. Esse debate vem ocorrendo há muito tempo. Adam Smith, o pai da economia, por exemplo, centrou seu estudo - o que, inclusive, dá nome a sua principal obra - na natureza e nas causas da riqueza das nações. Já naquela época, em plena revolução industrial, o pensador liberal dizia que uma nação será mais rica quanto mais comércio internacional fizer e quanto mais dividir a mão de obra, especializando na produção de bens em que possui vantagens quando comparada a outros países. Ainda assim, naquela época e ainda mais posteriormente, dizia-se que havendo crescimento econômico, também haveria desenvolvimento. Essa questão só mudaria no século XX, quando se assumiu que o desenvolvimento abarcava um contexto mais amplo, ou seja, para haver desenvolvimento deveriam ser percebidas melhorias na saúde, no social e no ambiental, evidentemente, na área econômica também.

Posto isso, ainda que crescimento econômico não seja necessariamente a mesma coisa que desenvolvimento, é necessário que a economia cresça para que haja desenvolvimento. E é aí, neste ponto, que a coisa pega. Em algumas questões, há consenso, ou quase consenso. Poucos discordam do fato de que o comércio internacional é uma coisa boa para ambos parceiros. Pouca discordância há, também, no fato de que a especialização e divisão do trabalho, de fato, gera competitividade. As questões agudas, por sua vez, centram-se em torno dos setores econômicos a saber: indústria, agro e serviços.

Pelo lado dos industriários, há um pensamento claro de que o setor é o gerador de riqueza. Essa afirmação, via de regra, se dá em função de que a indústria é transformadora de matéria prima em produtos, com agregação de valor. Essa agregação e transformação, nessa visão, seria geração de riqueza. O mesmo ocorre nos demais setores. No agro, diz-se que o setor é primordial, e o é, e que, por isso, seria a origem de toda a geração de riqueza. No setor de serviços, por sua vez, há também afirmação de que este seja o gerador de riqueza, pois tanto o agro, quanto a indústria, dependem do mesmo.

Há uma questão extremamente negativa por trás dessas afirmações. Certos de que o setor A ou B era o que definia o crescimento econômico, governos do mundo todo concederam incentivos fiscais para os mesmos, o que gerou - em todos os casos - distúrbios e crises econômicas severas.
A verdade, contudo, é que nenhum setor é gerador de riqueza pelo simples fato de ser quem é. Já há algum tempo, a teoria econômica, após estudar cada um dos setores e, de igual forma, estudar países e regiões que se desenvolveram, cada qual com o seu setor preponderante, validou que o crescimento econômico de um país ou região é dependente fundamentalmente do capital humano ali concentrado e da inovação que o mesmo emprega em todos os setores econômicos.

Um outro ponto de fundamental importância é a definição de que o desenvolvimento não se faz de uma hora para a outra. Veja a Coréia do Sul, o último país a ingressar no rol dos desenvolvidos. Há 50 anos atrás, tínhamos índices superiores ao país asiático, hoje é o contrário. O que fez a Coréia? Investiu em educação básica, técnica e superior. Focou-se em um nicho e buscou especializar-se, fazendo comércio com o mundo todo, e hoje é o que é.

Precisamos, enquanto região, despertar essa consciência de que capital humano é um ativo ímpar. Talvez o desenvolvimento pleno não seja para a nossa geração, o que é uma pena. Devemos começar a plantar educação hoje, para colher desenvolvimento no futuro.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados