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Impactos e consequências provocados no Hospital Beneficência Portuguesa pelos decretos governamentais

23 de Maio de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Armando Manduca, administrador da Beneficência Portuguesa

1º Impacto - Determinação de atender apenas urgências

A consequência é queda brusca da taxa de ocupação de leitos (de 85% para 45%) e a suspensão dos atendimentos ambulatoriais. A grande maioria dos pacientes internados são do SUS, provenientes do Pronto Socorro Municipal, e as poucas internações de pacientes privados não deixam resultado suficiente para cobrir as despesas quando juntados aos recursos do SUS. Isso faz dobrar o custo da diária hospitalar sem que o SUS ou planos de saúde, se responsabilizem pelo pagamento.

2º Impacto - Determinação de afastamento de funcionários (idosos, gestantes e crônicos)

A consequência é o aumento de despesa com a contratação de pessoal (médicos para UTI, médicos plantonistas, fisioterapeutas, etc...) para substituir os afastados, que continuamos pagando salário.

3º Impacto - Os profissionais da saúde devem usar EPI

A consequência foi o aumento da despesa com o EPIs de custo elevado e até com exigência de pagamento antecipado com valores exorbitantes, causando aumento da despesa.

4º impacto - Separar atendimento de pacientes Covid e não Covid

A consequência foi ter que adaptar a área física do hospital, separando espaços, serviços e treinamento de pessoas. Modificar estrutura de área física de ambulatório, alas de internação, UTI, causa despesas extras consideráveis.

5º Impacto - Divisão dos hospitais em Covid e não Covid

A consequência é que 45 dias após a determinação, ainda não está definido onde serão atendidos os pacientes com Covid de planos de saúde privados. Inaceitável essa situação.

Comentário

Os impactos causaram desequilíbrio econômico-financeiro, tornando a despesa bem maior do que a receita. Nossa preocupação é que, no momento em que mais se torne necessário o atendimento hospitalar, a instituição não esteja em condições de funcionalidade. Como prestar atendimento se não tivermos materiais, medicamentos e profissionais de saúde por falta de pagamento? Nos meses de março e abril conseguimos apesar do aumento da despesa, manter os pagamentos, porque a receita foi proveniente dos serviços executados em janeiro e fevereiro, antes dos Decretos. A partir de maio nossa receita será da produção dos serviços já sob o impacto dos Decretos e muito menor do que a despesa. Como manter a funcionalidade nessas condições durante a pandemia?

Sugestão

Não estamos nos posicionando contra os Decretos, que entendemos terem nos permitido viver até o momento em Pelotas, uma situação menos desconfortável do que na maioria das cidades com população semelhante. O que sugerimos é que parte dos 49 milhões de reais advindos do Ministério da Saúde, seja disponibilizado aos hospitais pelo Município, para cobertura do prejuízo, causado no cumprimento dos Decretos. Não faz sentido a proposta de criar novos leitos para receber recurso, quando estamos com dificuldade para manter a estrutura atual. A liberação parcial de procedimentos eletivos não é a solução, porque os hospitais precisam manter toda a estrutura funcionando, mas podem realizar apenas número reduzido de procedimentos. Algumas empresas já devem ter sido desativadas. Não vamos permitir que ocorra isso com as instituições hospitalares. É questão de bom senso evitar-se a desestruturação das instituições hospitalares em meio a uma pandemia.


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