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HPV pode levar ao câncer

01 de Outubro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Marco Lipay, doutor em cirurgia (urologia)

O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus que infecta a pele ou mucosas (oral, genital ou anal), tanto de homens quanto de mulheres, desenvolvendo verrugas que podem levar ao câncer. Dados do Ministério da Saúde mostram que aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo têm HPV e, dessa população, estima-se que um terço estão infectadas pelos subtipos 16 e 18; e são esses os tipos virais que desenvolvem a maioria dos casos de câncer de colo do útero.

A Associação Americana de Urologia (AUA), em seu site, menciona que o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e cerca de 14 milhão de pessoas são infectadas a cada ano nos Estados Unidos (EUA). A prevalência do HPV genital é estimada em 42,5% das mulheres americanas com idades entre 14 e 59 anos. Estima-se que a incidência anual desses cânceres nos EUA seja de 15 mil casos em mulheres e de sete mil casos entre os homens. Acredita-se que o HPV seja responsável por até 50% de todos os cânceres invasivos de pênis e está associado a quase todos os cânceres do colo do útero. Lembrando que o tumor de colo do útero é o segundo mais comum e a quinta principal causa de mortes em mulheres em todo o mundo, com quase 4.000 mortes/ano nos EUA.

No Brasil, em estudo recente envolvendo as 27 capitais, em 119 Unidades Básicas de Saúde/SUS, foram entrevistados 8.626 homens e mulheres com idade que variou de 16 a 25 anos (média de 21,6 anos). O estudo identificou uma prevalência de 53,6% de HPV, sendo 32,5% de alto risco (54,6% na população feminina e 51,8% nos homens). Outro dado importante deste estudo foi que, em relação às infecções sexualmente transmissíveis (IST), 13,8% dos pacientes avaliados já haviam manifestado HPV em outro momento ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis.

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), as formas de contágio do HPV são as mais variadas possíveis, a saber:

- A transmissão do vírus se dá por contato direto com a pele ou mucosa infectada.
- Pela via sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital.
- Também pode haver transmissão para o bebê durante o parto, caso a mãe seja portadora do vírus.
- Existem dúvidas quanto a possibilidade de contaminação pelo HPV por meio de objetos, do uso de vaso sanitário e piscina ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas.

O paciente infectado pelo HPV pode não apresentar sinais ou sintomas na maioria dos casos e, assim, ficar latente. Normalmente, as primeiras manifestações clínicas pelo HPV surgem num período que varia de dois a oito meses da infecção, mas em alguns casos pode demorar até 20 anos para se manifestar. O diagnóstico é confirmado pelo exame físico, somado a uma genitoscopia, biópsia da lesão e identificação do vírus e seu subtipo por técnicas de biologia molecular.

Além da vacina recomendada às crianças, adolescentes e grupos de risco, o preservativo (camisinha) masculino e feminino deve ser utilizado a partir do início da atividade sexual. Entretanto, o seu uso, apesar de prevenir a maioria das IST, não impede totalmente a infecção pelo HPV, pois as lesões podem estar presentes em áreas não protegidas. Na dúvida de uma infeção ou de uma lesão, procure auxílio médico. O urologista saberá indicar a melhor opção de tratamento e prevenção.


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