Editorial

Hora de redobrar a atenção

Pelotas e Rio Grande, onde estão concentrados os maiores comércios da Zona Sul, não estão isolados em relação ao contexto estadual

15 de Dezembro de 2012 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Neste momento do ano em que os consumidores jogam-se às compras para os festejos de Natal e Ano-novo, é oportuno ficar atento à lista divulgada pelo Departamento de Defesa do Consumidor (Procon/RS). Nela constam as 20 empresas que mais foram alvo de reclamações em 2012. E entre elas, o segmento campeão de queixas é o financeiro (30,81%), que pode ser lido também como “cartão de crédito”, peça usada com exaustão no comércio. O segundo lugar é ocupado pela área de produtos (24,79%) e, na sequência, os serviços essenciais (19,19%).

E para evitar a tradicional visita ao Procon no dia 26 de dezembro, quando os presentes natalinos perdem o encanto e transformam-se em uma grande dor de cabeça, redobrar a atenção no ato da compra pode garantir a tranquilidade que todos desejam quando estabelecem um acordo de compra e venda. O órgão destaca a cobrança indevida ou abusiva e a falta de cobertura de garantia como as queixas mais frequentes. Quem adquire produtos novos com defeitos sabe exatamente a dificuldade em trocá-los ou conseguir assistência técnica.

Pelotas e Rio Grande, onde estão concentrados os maiores comércios da Zona Sul, não estão isolados em relação ao contexto estadual. Das 20 empresas com o maior número de reclamações no Rio Grande do Sul em 2012, mais de 90% delas oferecem seus serviços nos dois municípios. Atuam nas áreas de telefonia, TV paga, sistema bancário, magazine e supermercado. A lista estadual, portanto, serve aos consumidores da Zona Sul, que também enfrentam problemas semelhantes.

Um comentário do secretário da Justiça e dos Direitos Humanos, Fabiano Pereira, ao apresentar o balanço do Procon/RS, chamou a atenção. Ele disse que “só multar não resolve o problema”. Ou seja, as empresas parecem não se importar com as autuações - algumas em milhões de reais - e, por isso, continuam a ignorar direitos básicos dos clientes. A melhor resposta que as pessoas podem dar às empresas, além de exigir a garantia do que costuma ser sonegado sem disfarce, é buscar outras opções no mercado. A concorrência existe e está sempre disposta a fidelizar novos compradores.

Tornar público o nome das empresas que mais geram reclamações, além de ser um dever institucional do Procon, é uma boa maneira também de pressioná-las a qualificar o atendimento. Não há motivo para esconder quem, periodicamente, costuma tratar as pessoas como peças descartáveis.

Além disso, é uma boa ideia a ser seguida pelas unidades locais, onde o comércio é forte e os problemas também são em grande volume. Por que pelotenses e rio-grandinos não podem conhecer, ao final de cada período (semestre ou ano), a lista das empresas que mais movimentaram os balcões do Procon? Uma boa sugestão para 2013.


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