Editorial

Hora de calor intenso

28 de Julho de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Anunciada há dias como uma quase certeza, a onda de frio rigoroso que até então era uma ameaça começou ontem na região de Pelotas e hoje já se espalha por todo o Estado - sendo cada vez mais intensa no extremo sul. Segundo meteorologistas, a combinação de baixas temperaturas e vento forte da terça-feira foi apenas o começo de um período que deve ter temperaturas negativas, inclusive com chances de neve e chuva congelada.

Embora o inverno seja a estação do ano preferida de muitos e tenha grande importância até mesmo para a economia, incentivando o turismo do frio e sendo fundamental para alguns produtos do campo se desenvolverem - vide o pêssego, por exemplo, conforme reportagem na página 3 -, é impossível desconsiderar o quanto temperaturas extremamente baixas colocam em risco milhares de pessoas. Além das tantas famílias que vivem em condições precárias, sem condições de terem um lar com o mínimo de conforto térmico, agasalhos e comida suficiente, há sobretudo cidadãos que permanecem em situação de rua. Para estes, dias e noites como os que estamos enfrentando são torturantes.

Neste sentido, é fundamental todo esforço possível para auxiliar estas pessoas a se protegerem do frio. Em um mundo ideal, nenhum destes pelotenses, rio-grandinos ou moradores de qualquer outra cidade deveria precisar desse apoio emergencial, já que moradia digna é um direito básico. No entanto, como isso continua sendo utópico diante da incompetência da nossa sociedade em superar suas mazelas e garantir o essencial, muitos seguem dependendo de iniciativas solidárias de grupos da comunidade e de ações paliativas do poder público. Reportagem de ontem do Diário Popular citou algumas delas, todas dignas de aplausos, sem dúvidas.

A despeito da necessidade de se manter o debate sobre as falhas que levam uma cidade, um estado e um país a manter e ampliar as condições de miséria, o imprescindível neste momento de urgência é agir. Cada um, dentro do seu alcance, precisa colaborar como puder. Procure a prefeitura, uma ONG, uma entidade e ajude com roupas, comida, cobertas. Ou doe diretamente a quem precisa. Se não puder, oriente onde buscar ajuda. Em momentos como esse o calor humano intenso precisa ser maior que a onda de frio.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados