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Getúlio Dornelles Vargas, sempre na memória dos brasileiros

19 de Julho de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Nery Porto Fabres, professor

Não há quem não se encante por política, porém para a surpresa de muitos, ela nunca está isolada num campo específico. História, Filosofia, Direito e Economia são acompanhantes inseparáveis desta incontrolável relação social das nações e de seus povos. Diz-se aqui, incontrolável, porque, no campo fático, a política está fora do controle de seus atores.

Para entender melhor essa relação da política com as ciências citadas se irá fazer um breve recorte temporal para desenhar um panorama histórico. Vamos buscar na memória brasileira a figura ilustre da política nacional, Getúlio Dornelles Vargas, nascido sete anos antes da proclamação da república, 1882. O qual, por intermédio de seu pai, o grande pecuarista gaúcho e general do Exército brasileiro, Manoel Vargas, alcançou patentes no Exército antes de alçar voos pela vida política nacional.

Getúlio graduou-se em Direito e foi deputado estadual aos 27 anos pelo Partido Republicano Riograndense em 1909. Bem, se faz necessário lembrar que o Brasil imperial transformou-se em república em 1889 e em 1891 foi promulgada a primeira constituição republicana estabelecendo os princípios e diretrizes deste novo regime de governo. Logo, naquele período, dizer-se republicano fazia parte da filosofia política.

Vargas se reelegeu em 1913 e posteriormente voltou a ser reeleito em 1917 e novamente em 1919 (à época, as eleições faziam-se presentes de 2 em 2 anos). E em 1921 repetiu as grandes votações, o que lhe concedeu a liderança do PRR no mandato que se iniciou em 1922 na antiga Assembleia Legislativa, que no período chamava-se Assembleia dos Representantes. Mais tarde, em 1923 falecia o deputado federal Rafael Cabeda, deixando vaga uma cadeira na Câmara Federal, o que fez o PRR indicar o seu líder gaúcho Getúlio a disputar as eleições para a Câmara Federal, o qual foi eleito para o mandato de 1924 a 1926. Getúlio tornou-se líder da bancada gaúcha na Câmara Federal.

Vargas possuía uma energia em seus discursos que, embora com sua voz aguda, causava muita comoção ao povo que o idolatrava. O rádio era a sua maior ferramenta e repercutia os seus debates acalorados na câmara dos deputados federais. A casa baixa do Congresso já aumentava o seu espaço de fala, e a casa alta (Senado) o ouvia com atenção. Getúlio Vargas era um líder nato.

Em 1926, Getúlio Dornelles Vargas assumiu o posto de ministro da Fazenda no governo de Washington Luis, criando o decreto presidencial n. 5.108/1926 que tratava da reforma monetária e cambial brasileira.

O reconhecimento de sua liderança política o fez voltar ao estado gaúcho para concorrer ao cargo de presidente da república gaúcha (chamada assim à época). Eleito em 1927, presidente (governador), ao lado de seu vice, João Neves da Fontoura, para o mandato de 1928 a 1933 (5 anos). Também é bom lembrar que Borges de Medeiros ficou no governo gaúcho por 30 anos (com uma pequena interrupção de um mandado, 1908 a 1913 quando impedido de se reeleger colocou, no cargo, o seu amigo Carlos Barbosa Gonçalves).

A eleição de Getúlio Vargas somente foi possível pela reforma da constituição de 1891, que em 1923 alterou o dispositivo da reeleição dos governadores (presidentes regionais), então o pacto de Pedras Altas em 14 de dezembro de 1923 assegurou a pacificação política do Rio Grande do Sul.

Já em 1929, a família Vargas estava às voltas com os preparativos para alcançar o cargo da presidência da republica federativa brasileira e almejavam nomear Getúlio o presidente do Brasil. Feito este consagrado em 24 de outubro de 1930, quando Getúlio Dornelles Vargas e seus aliados depuseram o governo de Washington Luiz e então impediram a posse do presidente oficialmente eleito, Júlio Prestes. Este ato encerrou a República Velha e se iniciava o governo getulista, que perdurou interruptamente por 15 anos (1930 - 1945).

Neste período, a filosofia dominante era irradiada pelos meios de comunicação em massa e o governo se moldava de acordo com o resultado das palavras do grande articulador e advogado que dominava os discursos e empolgava as classes mais pobres. Getúlio habitualmente buscava as letras em suas horas de descanso, lendo todas as obras literárias disponíveis. Getúlio Dornelles Vargas treinava os seus discursos para levantar aplausos do povo brasileiro e assim permitiu-se dominar a nação com um governo provisório de 1930 a 1934 e eleito presidente da república pela Assembleia Nacional Constituinte em 1934 até 1937. Em 1937, Vargas fechava o Congresso e tornava-se um ditador perdurando aos anos de 1945, período chamado de Estado Novo. O seu governo encerrou com um acordo entre as forças armadas.

Esse acordo tirou Vargas da presidência, mas não da política brasileira, passado três meses abriu-se o Congresso, e as urnas o elegeram senador da república e em 1950 o povo novamente confiava seu voto a Getúlio, elegendo-o a presidente da República. E em meio a desavenças políticas e traições dos partidos que pretendiam lançar outros nomes para as esferas mais altas da vida pública foi anunciada a morte de Getúlio Dornelles Vargas, que deixava o posto de presidente da nação para entrar para a história.

Portanto, o grande mito da política brasileira cursou Direito, atuava de forma eficaz na Economia, compreendia de Comunicação Social, Filosofia e História, foi amante da literatura e fez a sua carreira se utilizando de todas as ciências necessárias para uma base política sólida, o que falta na política contemporânea é essa dedicação pela vida pública e o apego aos estudos.


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