Editorial

Gasolina em alta mesmo sem reajuste oficial

26 de Maio de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Como mostrado em reportagem na edição de ontem, levantamento feito pelo Procon em Pelotas apontou que o preço de todos os combustíveis subiu nos postos entre abril e maio. O que, infelizmente, é até esperado frente ao cenário de descontrole de preços vivido no país, especialmente diante da política de preços adotada pela Petrobras que privilegia manter a paridade com o mercado internacional ao invés de, como defendem alguns economistas, usar parte de seus lucros para custear um fundo capaz de subsidiar parte dos aumentos, evitando prejuízos à companhia e seus investidores ao mesmo tempo em que amenizaria os impactos no bolso dos brasileiros. Contudo, voltando ao cenário local, chama atenção o aumento no valor da gasolina.

Apesar de a petroleira estar segurando a atualização dos preços de venda da gasolina nas refinarias desde 10 de março (data do último reajuste), de lá para cá o número estampado nas bombas das abastecedoras pelotenses não copiou este movimento. Pelo contrário. O motorista que precisa encher o tanque – se é que alguém ainda tem essa capacidade econômica – tem se deparado com preços que aumentam gradativamente.

Basta comparar: em março, quando a Petrobras subiu a gasolina nas refinarias, os postos de Pelotas vendiam o combustível (tipo comum) por um preço médio de R$ 7,05. O dado é do monitoramento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em maio, segundo o retrato feito pelo Procon em 53 estabelecimentos, a média está em R$ 7,28. Ou seja, cada litro ficou 23 centavos mais caro. Em um veículo com tanque de 50 litros, por exemplo, o consumidor precisa desembolsar R$ 364, ou R$ 12,50 a mais que em março. Parece pouco, mas para a imensa maioria dos trabalhadores que não veem seus salários aumentarem (ao contrário das despesas), todo real despendido é essencial. Além disso, é incompreensível para o cidadão que o preço da gasolina siga em alta nas bombas mesmo quando a Petrobras faz uma rara manutenção de patamar.

Quando os aumentos se dão nas refinarias e representantes do setor de abastecedoras são ouvidos, a compreensível justificativa para o aumento na ponta é que é essencial que os postos acompanhem a movimentação dos preços para que não acabem ficando no prejuízo. Mas e agora, o que explica a escalada da gasolina nas bombas enquanto a Petrobras não faz esse movimento há 77 dias?


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