Editorial

Estátuas ao chão

30 de Junho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Os Estados Unidos passam por uma revisão histórica sem precedentes, feita não por especialistas ou aqueles que colocaram nos livros análises sobre fatias do tempo. O país, por pressão da sociedade, tenta dar novo olhar - realista - sobre um dos capítulos mais revoltantes da construção e do desenvolvimento norte-americano: a escravidão e o racismo.

Um mês após o assassinato de George Floyd, homem negro que teve o pescoço sufocado pelo joelho de um policial branco, multiplicam-se ações e movimentos para, literalmente, rever e retirar da história "heróis" e "verdades".

No novo momento dos Estados Unidos, estátuas estão desabando, bandeiras estão sendo mudadas e monumentos estão indo para os porões. O Museu de História Natural de Nova York, por exemplo, já anunciou a retirada da estátua do ex-presidente americano Theodore Roosevelt (1901-1909) de sua entrada principal, onde está desde 1940. Isso porque, ao lado Roosevelt (montado em um cavalo), estão um índio e um negro (os dois a pé). De acordo com o Museu, o pedido foi feito pelo prefeito de Nova York, Bill de Blasio, durante a onda de protestos contra o racismo e a violência policial.

Por sua vez, o estado do Mississippi, um dos mais segregacionistas, também por pressão popular, começou o processo para banir de sua bandeira o símbolo confederado (é o único estado que ainda o mantém). Trata-se de um cruz azul na diagonal, com pequenas estrelas brancas com um fundo vermelho, que representou os estados do sul contrários à abolição da escravatura na Guerra Civil americana.

O movimento norte-americano também cresce além das fronteiras. Na Inglaterra, manifestantes antirracistas derrubaram em Bristol a estátua de Edward Colston e a jogaram no rio que corta a cidade. Colston enriqueceu como traficante de escravos no final do século 17 e, por decisão de líderes brancos, em 1895, ao invés de ter ser tratado como criminoso, ganhou a idolatria através de um símbolo. Agora afogada no fundo do rio.


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