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Espreitando os anos 1970 a 1974 (II)

05 de Dezembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Sergio Cruz Lima, colaborador

No artigo anterior falei sobre a moda deles e delas, os recursos da maquiagem, os novos produtos de higiene, as maravilhas da modernidade, as bebidas e guloseimas no primeiro quartel dos anos 70. Hoje, sigo em frente. Em 1970 nasce meu filho Andrey. E lembro os destaques da época: Rejane Vieira da Costa, gaúcha de Pelotas, é Miss Brasil; Ali McGraw faz chorar em Love Story; Maria Scheider estrela O último tango em Paris; Lisa Minelli brilha em Cabaret; Dina Sfat é a deusa do teatro. Beki Klabin se divorcia e desbunda em grande estilo, Yoko Ono escreve Grapefruit, Al Pacino filma Um dia de cão, Waldick Soriano canta Eu não sou cachorro não, Marlon Brando recebe o Oscar, Flavio Cavalcanti é o dono das noites de domingo, Tony Tornado canta BR3. São filmes de grande sucesso: O Exorcista, Perdidos na noite, Patton, Operação França. Nascem grandes diretores: Martin Scorsese, George Lucas, Steven Spielberg. E surge a apoteose do sexo: Emmanuelle. E, com ela, a pornochanchada e os filmes de catástrofe e de terror: Aeroporto, Terremoto, Furacão, O homem de palha, O exorcista.

Na música, Chico, Gil e Caetano retornam do exílio. O editor L.C.Maciel saúda Caetano com um editorial: "Boas-vindas, boa vida. A hora está boa, o sol está forte, o mar está calmo". Paul McCartney requer à justiça britânica o fim dos Beatles. Canta-se no Brasil: Águas de Março, Apesar de Você, Você Abusou, Preta Pretinha, Rosa de Hiroshima, Teimosa, Detalhes, Menina da Ladeira... O governo militar emplaca a música chapa branca: Eu te amo, meu Brasil, Só o amor constrói, Você também é responsável... O samba também faz sucesso com Elis Regina, Clara Nunes, Alcione, Martinho da Vila, Beth Carvalho... A era de ouro dos festivais acabara, mas as emissoras de tevê ainda não tinham percebido e insistem em manter o evento vivo. Grandes shows de artistas nacionais: Gal Costa, em Fa-tal, Caetano e Chico em Noites Tropicais, Elis Regina, Bethânia, Nara Leão, Baby Consuelo e os Novos Baianos.

O desbundado anda a pé, de carona, na caçamba do caminhão, de ônibus ou bicicleta. O melhorzinho tem um Fusca ou um Buggy ajambrado. A classe média anda de Chevette, Volkswagen, Fuscão, Corcel. Os abonados de Mustang, Camaro, Ford LTD Landau, Ford Galaxie, Dodge Dart. Só carrão! Enquanto isso, a maconha, o LSD, o mescal e as anfetaminas são usados pela garotada em busca de um prazer irreal. No esporte, o Brasil participa das copas do México e da Alemanha. Ganha a primeira; perde a segunda. Fittipaldi manda na raia. Ibrahim Sued lança o livro de memórias Vinte Anos de Caviar e se vale de vocabulário próprio: À coté, Ademã, que vou em frente, Geração pão com cocada, Sorry, Periferia, Boooomba!, Rebu, Su, De leve. Enquanto isso, o povão fala Barra pesada, Boko-Moko, Prafrentex, Pra chuchu, Bronca, Chá de cadeira, Transviado, À beça, Bicão, Beca, Papo furado, Forçar a barra, Pão, Gamado, Fossa,,,

Face ao Decreto-lei 1077 nasce a imprensa nanica que diz o que não poderia ser dito, e expressa o que, apesar de tudo, era vivido: O Pasquim, Presença, A Pomba, Flor do Mal, Bondinho, Navilouca... Nascem novas revistas em quadrinhos: Pateta, Mandrake, Fantasma... Alguns livros fazem a cabeça da galera: Eros e civilização, O espírito do zen, O despertar dos mágicos... Em 1970, 27% dos lares brasileiros possuem televisor; em 74, 43%. O plim-plim da Globo nasce em 1973. Novelas fazem sucesso: Pigmalião 70, Irmãos Coragem, O cafona, Selva de Pedra, O bem amado, Mulheres de areia, Os ossos do barão, Corrida do ouro... Nos domingos à noite, o Fantástico reina sozinho com a sua musiquinha insuprível. Os reis do riso aparecem com os programas Balança mas não cai, Faça humor não faça a guerra, Chico City, Os Trapalhões... Chacrinha domina os programas de auditório. Vila Sésamo faz a alegria das crianças. Rádios? Só AM.


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