Artigo

Esperança e boas notícias

04 de Julho de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Renato Raatz, Bispo Emérito da Diocese Anglicana de Pelotas

Vivemos em tempo de pandemia. São tantas dores, angústias, incertezas, desolação, morte. Problemas infinitos, sobretudo na saúde, que agora tem revelada sua fragilidade. Vivemos também uma crise política, econômica e social. Muita gente sofre o desemprego, com a falta de perspectiva. As empresas também enfrentam uma situação terrível, considerada por muitos como o caos. E ao lado de tudo isso sobressaem ainda os escândalos, as falcatruas, as espertezas. É o interesse particular se sobrepondo ao interesse comum. Em razão disso muita gente não acredita em dias melhores, tão pouco vislumbra um novo mundo, uma sociedade mais justa. Cabe, então, a pergunta: por onde andam a esperança e as boas notícias?

A vida mais parece um trem descarrilado à beira do abismo, em noite de tempestade. O fim parece iminente. E olha que não faltam propagadores do Apocalipse. Na verdade há quem alimenta e se alimenta das famosas “Fake News”, tão em voga hoje. Há também aquelas que não conseguem lidar emocionalmente bem com isso que está acontecendo.

Convém considerar que tanto tempo de quarentena, isolamento social tem prejudicado, e muito, os relacionamentos. Muita gente esta emocionalmente abalada, o que é compreensível. O fato é que não fomos “projetados” para viver sozinhos, isolados. Estamos acostumados a viver em comunhão, em comunidade. Somos parte de uma aldeia global. Participamos de grandes eventos esportivos, culturais, celebrações, feiras, romarias, excursões, festas... E agora estamos vivendo mais restritos, isolados. Estamos como que num deserto. E nos perdemos neste deserto. Não sabemos para onde ir, o que fazer. Precisamos encontrar a saída. E nem todos a encontram. Entretanto, quando se olha um pouco além de nós mesmos, um pouco além de nossas particularidades, quando temos um novo olhar para a vida e para o mundo, contemplamos um novo horizonte. E vemos para além do abismo e da tempestade.

Há como uma grande transformação em nossa vida e também no mundo; nos tornamos pessoas melhores. Vemos um mundo melhor. E há muitos exemplos disso, mesmo nestes tempos difíceis. Isso quer dizer que há, sim, esperança e boas notícias. Podemos desfrutá-las. Melhor: podemos fazer parte delas. Ser agentes de transformação, com nosso discernimento e criatividade.

Universidades, pesquisadores estão comprometidos com o monitoramento da pandemia. Trazem importantes informações para os gestores da saúde, governantes, empresários, educadores. Uma ajuda essencial na tomada de decisões. Ressalte-se aqui o excelente trabalho realizado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A imprensa, por sua vez, tem contribuído com orientações, informações, esclarecimentos à população. Ações estas realizadas com eficiência pelos meios de comunicação aqui da Região Sul. Os religiosos também fazem sua parte. Os anglicanos particularmente tem recebido apoio da Câmara Episcopal com a elaboração de Cartas Pastorais e protocolos para orientar os fiéis e público em geral. A bispa diocesana Meriglei Simin tem feito vídeos, encorajando o cuidado com a saúde, exortando que se evite aglomerações e ficando em casa, na medida do possível. A vida é o foco principal agora.

Em meio à crise, há grandes gestos de solidariedade propostos por empresas, instituições, ongs. Até mesmo pessoas desempregadas e pessoas sem condições financeiras dignas tem dado sua contribuição. Vemos inclusive exemplos de generosidade vindo de crianças. Parece haver um despertar, um abrir-se para o outro. Quem sabe esta seja uma forma diferente de conviver e abraçar? Semente de um novo mundo.

Vamos então nutrir nossa esperança e crer firmemente em boas notícias.


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