Editorial

Escolaridade da mãe impacta no futuro do filho

05 de Dezembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Quanto menor a escolaridade da mãe, menor o nível de alfabetismo, a probabilidade de exercer trabalho remunerado e as habilidades para o manuseio de tecnologias por parte dos filhos. A conclusão faz parte de recente estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que tem como base a pesquisa Indicador de Analfabetismo Funcional 2018 (Inaf), realizada pela Ação Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro.

Conforme o estudo, intitulado O peso do passado no futuro do trabalho: a transmissão intergeracional de letramento, 60% desses filhos são considerados analfabetos funcionais. Eles também têm maior dificuldade para lidar com interfaces digitais, cada vez mais utilizadas no mundo do trabalho: metade deles não consegue realizar depósitos ou saques em caixas eletrônicos, ou consegue com dificuldade.

No que diz respeito à população na faixa etária entre 25 e 64 anos cujas mães não tiveram nenhuma escolaridade, quase metade não tem trabalho remunerado. Na outra ponta, 78,8% daqueles cujas mães têm Ensino Superior completo ou incompleto estão trabalhando.

O estudo também alerta para o alto impacto social que o analfabetismo funcional produz, como baixos indicadores de saúde, maior dependência de programas de assistência social, maior envolvimento com o crime e baixa autoestima. A análise do Ipea recomenda atenção especial às famílias mais vulneráveis, com a ampliação do acesso e da permanência das crianças na educação infantil e integral, de modo que haja menos defasagens em relação àquelas vindas de ambientes familiares onde o nível cultural é maior.


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