Editorial

Enem mudou o jeito de fazer vestibular

18 de Outubro de 2016 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Há cinco anos, em outubro de 2011, palavras do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, reforçavam uma meta de governo: "É preciso acabar com o vestibular, que é um grande mal que se fez à educação brasileira", disse Haddad, referindo-se às mudanças para tornar a chegada ao Ensino Superior mais justa e qualitativa. A ideia era substituir o modelo vigente, na íntegra, pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Já naquele momento várias universidades brasileiras haviam desistido, inclusive, do formato tradicional. No final do primeiro semestre de 2011, por exemplo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciava a decisão de oferecer 100% das vagas do seu vestibular 2012 pelas notas do Enem. Na Zona Sul do Estado a pioneira foi a Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Em 8 de maio de 2009 comunicou que todo estudante que desejasse concorrer a um de seus cursos, a partir de 2010, teria de prestar as provas do Exame Nacional.

O fim do vestibular coincidiu em 2011 com o seu centenário, lembrou o Diário Popular em Editorial. Isso ajudava a explicar a necessidade de modernizar o formato de acesso à fase anterior ao ingresso no mercado de trabalho. Já o Enem, em seus primeiros anos, ainda buscava o aperfeiçoamento da fórmula - muito através de seus próprios erros -, e se mostrava como uma ferramenta mais realista à educação brasileira a partir do momento em que levava - ou deveria levar - à melhoria do Ensino Médio, algo que o vestibular sempre teve dificuldade de medir.

A lista atual de adesão das universidades ao Enem para o ano letivo 2017 é gigantesca. No rol elaborado pelo site Vestibular Brasil Escola, entre instituições federais e estaduais do Brasil, é possível conferir quais são elas. Apenas na Região Sul, com percentuais diferentes para as vagas, o modelo será adotado por UFPR, UTFPR, Unila, UFRGS, UFCSPA, UFSM, UFPel, Furg, Unipampa, UFSC, UFFS, UEL, UENP, Unicentro, Unioeste, Uergs, Udesc, IFPR, IFSul, IFRS, IF-Farroupilha, IFSC e IFC.

Haddad lançou seu comentário 13 anos após a criação do Exame Nacional do Ensino Médio, apresentado à sociedade em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica e contribuir para a melhoria da qualidade desse nível de escolaridade. As críticas, naturais, foram e são feitas até hoje. E o próprio governo encarregou-se de propor mudanças - em 2009 o MEC criou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) -, em reconhecimento à importância de melhorar o sistema de seleção.

 


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