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Em Pelotas, a abstenção perdeu

03 de Dezembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Henrique Pires, assessor especial da Prefeita , especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca

Na Espanha, quando alguém deixa antever que está apreciando algum tema de maneira interessada, costuma-se dizer que está aplicando um recurso retórico chamado "Lei Campoamor".

Ao ler o artigo "A abstenção venceu" (DP. 2/12/2020 _ autor Lênin Landgraf) e perceber a tentativa de obnubilar a vitória da prefeita Paula, imediatamente lembrei daquela designação baseada no poema de Ramon Campoamor, que diz: "Y es que en el mundo traidor, nada hay verdad ou mentira, todo es segun el color del cristal com que se mira".

Pois vamos aos fatos, mudando o cristal. As taxas de abstenção bateram recorde nas eleições municipais esse ano e em 10 das 57 cidades onde tivemos 2º turno; o número de eleitores que não compareceram às urnas foi maior que o total de votos recebidos pelo vencedor do pleito. Ou seja: em 47 cidades a abstenção perdeu e Pelotas é umas delas. E se alguém quiser esticar a régua e incluir na soma votos brancos e nulos, levantando aquilo que chamamos de "Alienação Eleitoral", mesmo assim a população de Pelotas demonstrou não estar no mesmo nível de desencanto político apontado de maneira geral no artigo publicado no dia 2.

Paula e Idemar venceram com 105.206 votos. As abstenções (29,38%) foram 70.786 votos, brancos 7.213 e nulos 9.802 votos.

Após o término do primeiro turno já circulavam algumas avaliações que tentavam diminuir a vitória (incontestável) da prefeita Paula.

Suponho que sejam tentativas de mitigar a dor daqueles que viram votações como a de Boulos perder para as abstenções em São Paulo com diferença de 600 mil votos, Manuela fazer 47 mil votos a menos que as abstenções em Porto Alegre ou em qualquer uma das 23 cidades nas quais a abstenção foi maior que a votação dos candidatos que tiraram segundo lugar. Sob qualquer ângulo, em Pelotas, Paula venceu!


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