Eleições na Alemanha

04 de Outubro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Cezar Roedel

Conjuntura Internacional

Na semana que passou os alemães votaram em seus candidatos distritais e nas legendas que irão compor a nova formatação do Bundestag, que é o parlamento do país. A Alemanha é uma república parlamentarista e adota um sistema eleitoral proporcional misto. Tradicionalmente, o Bundestag conta com 598 assentos, todavia, o número vem aumentando significativamente nas últimas eleições. Nas atuais, chegou aos 735. Na liderança está o SPD, de centro-esquerda, na figura de Olaf Scholz (atual ministro de economia do gabinete de Angela Merkel e vice-chanceler do país). Em segundo, vem o CDU/CSU, a centro-direita, ou também conhecida como a União, com Armin Laschet, seguido dos Verdes e da FDP (os liberais).

Declínio da União

Chamou a atenção o relativo declínio no desempenho dos cristãos conservadores. Muitos votos migraram da agremiação para o SPD. Alguns motivos que podemos levantar seriam o simbolismo de Scholz e a questão das fortes chuvas de julho, bem como a administração da crise do coronavírus. Em que pese estar no partido de centro-esquerda, Scholz representa a estabilidade e o controle fiscal, é considerado pelos seus pares como o “mais à direita” dentro do SPD. O seu nome agrada as elites da Renânia do Norte, o estado mais populoso na Alemanha. A forma com que Laschet respondeu, no mesmo estado, às recentes chuvas (que mataram mais de cem pessoas) e a lenta vacinação contra o coronavírus parece ter deslocado os votos para Scholz, líder mais pragmático.

As coalizões

As eleições já acabaram, mas a Alemanha ainda pode estar longe de nomear o seu novo chanceler. Isso ocorre, pois, os partidos precisam, para indicar um novo líder, atingir o número aproximado de 368 cadeiras (maioria), que serão conquistadas a partir das coalizões. Há no mínimo três possibilidades de formações 1) SPD juntamente com CDU/CSU (atual coalizão que governa a Alemanha); 2) SPD, FDP e Verdes (chamada pelos alemães de coalizão semáforo, pois, reúne as cores vermelha, amarela e verde, respectivamente); e 3) CDU/CSU, FDP e Verdes (apelidada de coalizão Jamaica, em virtude das cores da bandeira do país caribenho: preto, amarelo e verde).

O futuro da Alemanha

Tudo isso ainda pode levar tempo, talvez até o Natal. Agora os partidos organizam, após a investidura dos novos deputados, daqui a cerca de 30 dias, no Bundestag, reuniões para acertar uma coalizão de interesses. O caminho, provavelmente, será uma sequência do governo Merkel, na figura de Scholz ou Laschet, não representando uma ruptura para a política alemã, ao contrário. A política externa alemã deverá enfrentar duas questões desafiadoras: um posicionamento sobre a tensão que se estabelece entre a China e os EUA e a questão dos refugiados afegãos e sua entrada no território alemão.

A relação com o Brasil

A relação entre o Brasil e a Alemanha é frutífera. O país é o principal destino do investimento alemão na América Latina, com cerca de R$ 110 bilhões já investidos. Hoje são mais de 600 empresas alemãs operando no Brasil e a nossa balança comercial está focada na exportação de agrícolas, importação de químicos, de máquinas e equipamentos. Um desafio importante para o Brasil será o avanço das negociações do então acordo entre o Mercosul e União Europeia, que está praticamente travado, a depender da aprovação dos países membros da União Europeia.


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