É pior do que se imaginava

20 de Agosto de 2018 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Os debates realizados até aqui com os candidatos à Presidência da República - o último ocorreu sexta-feira à noite, pela Rede TV - tem confirmado ao eleitor o cenário desenhado no período de pré-candidaturas: nunca tivemos uma qualidade tão baixa de postulantes ao cargo maior do país. É assustador ver que dos oito nomes apresentados pelos partidos sairá aquele que irá conduzir a política nacional (econômica, social, educacional e de desenvolvimento) pelos próximos quatro anos.

Os absurdos nos comentários dos candidatos a presidente devem, acima de tudo, ser interpretados pelo eleitor como a falta de capacidade e de conhecimento de quem não tem a mínima ideia do que é ser gestor. É preciso parar de rir e fechar o rosto para quem diz que a partir de 1º de janeiro de 2019 irá "revogar" todos os decretos aprovados pelo governo; num passe de mágica, devolver a segurança a todos nas ruas; fazer a economia do país crescer 5% (uma das maiores potências econômicas do mundo, a China, cresceu 6,9% em 2017) e passar a direção das escolas públicas para os militares.

Não são piadas o que foi descrito no parágrafo acima e sim manifestações colhidas na última sexta-feira, durante o circo que virou a campanha eleitoral. E isso que sequer teve início o horário eleitoral na TV, quando todos terão mais tempo para dizer o que pensam, sem qualquer tipo de questionamento ou contraponto.

Para o brasileiro, numa situação assim, o mais difícil é encontrar vozes que soem diferente e possam mostrar alguma luz no fim do túnel. O país vive o ápice da decepção com o segmento político, em descrença total com uma categoria associada diretamente - mesmo não tendo se envolvido - à corrupção e aos privilégios permitidos pelo poder. Enquanto do outro lado prevalece a perda constante, pelo povo, de direitos básicos.

Nesses primeiros dias, nenhum candidato a presidente conseguiu mostrar ter capacidade de ser diferente. Ao contrário. O nível diminuiu em discursos rasos, repetidos e fora de qualquer lógica cidadã.

A única boa notícia frente a um cenário tão desolador é que o voto passou a ter enorme força. Conquistá-lo virou um desafio gigantesco a quem insiste na velha política.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados