Editorial

É direito, não é faz de conta

26 de Outubro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

São inúmeros os desafios enfrentados cotidianamente por pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Coisas simples para a maioria das pessoas, como andar nas calçadas, usar o transporte público, acessar prédios e serviços públicos, tudo esbarra na falta de acessibilidade que, por mais que dê alguns sinais de evolução, ainda está muito aquém do necessário e justo.

No entanto, os problemas para estes cidadãos vão muito além da limitação do direito de ir e vir, de ler, de ouvir. Até mesmo a possibilidade de garantirem autonomia financeira própria e de suas famílias é permanentemente desrespeitada em larga escala. É o retratado em reportagem publicada nesta edição do Diário Popular, que aponta a escassez de vagas para pessoas com deficiência (PcDs) disponibilizadas nas empresas locais e a dificuldade de quem procura uma colocação no mercado.

Não bastante o fato de que é preciso haver uma cota determinada por legislação federal para que se trabalhe a inclusão de quem é plenamente capaz de exercer as mais variadas tarefas, um outro ponto chama a atenção: a oferta quase fictícia de postos de trabalho por conta de alguns estabelecimentos. Como relata o coordenador da agência FGTAS/Sine de Pelotas, não são incomuns anúncios de empregos em que os recrutadores estabelecem tantas exigências que acabam por inviabilizar a admissão de PcDs. Ou seja, para fins oficiais, a oportunidade de trabalho existe e é divulgada. Mas, na prática, tudo o que ela não representa é uma real chance de contratação.

Somado a isso, é descrito por quem atua no gerenciamento de vagas uma perceptível disposição ao cumprimento efetivo da legislação mediante fiscalização rigorosa. E, como a demanda pelo trabalho de acompanhamento é grande para a representação regional do Ministério do Trabalho, o sentimento de PcDs e serviços como o Sine é o de que, sem olhar atento das autoridades, os postos de trabalho praticamente somem.

O resultado disso é que há muita gente boa, capacitada, cuja única diferença em relação à mão de obra "tradicional" está na deficiência. O potencial e a qualificação existem e estão à disposição do mercado. Boas empresas, aquelas que se preocupam com o crescimento da sua árvore e também com a saúde da floresta, sabem disso e tratam o tema com a seriedade que merece. Todas deveriam fazer isso. Se não por inteligência corporativa, ao menos por cumprimento às leis e aos direitos de tanta gente.


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