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E depois da segunda-feira?

24 de Novembro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Manoel Jesus, educador - manoeljss21@gmail.com

Não há como fugir de comentar as eleições do próximo fim de semana. Dizer que elas estão polarizadas é repetir o óbvio porque restaram dois candidatos que, em tese, se identificam com a esquerda e com a centro-direita. Dos números que surgiram da boca das urnas ficou claro o que também já se havia dito: não era e não é hora para eleições, porque a população acabou demonstrando todo o seu desinteresse quando, entre nulos, brancos e ausentes, o "candidato" somou votos suficientes para chegar em segundo lugar!

A pandemia do coronavírus encontrou uma população ausente das questões políticas e aumentou a sensação de que continua sem prestar atenção ao processo eleitoral, que deveria ser o grande momento da discussão das questões locais, pautando candidatos que dessem respostas razoáveis e factíveis. Os discursos na televisão e no rádio, assim como a praga dos santinhos espalhados pelas ruas, mostrou que os políticos e seus partidos apontam para o que sabem que não vão cumprir e a se vota neles sabendo que não cumprirão o que prometem.

O problema real é: "e depois da segunda-feira?" Ainda cedo da noite de domingo se terá o resultado das eleições e, não importando qual dos dois se eleger, tudo aquilo que apresentaram terá que enfrentar a realidade. E se esta realidade já era difícil antes da pandemia, vai se tornar ainda mais agora que muitos salários diminuíram, pessoas ficaram desempregadas, não haverá 13% para aposentados e o 13% do trabalhador virá minguado pelos descontos dos acertos de tempos parados e adequação das jornadas de trabalho.

A expectativa de terminar o ano com recursos minguados aponta para o próximo ainda com "as abóboras se acomodando com o andar da carroça". A segunda onda do coronavírus no hemisfério norte dá a dimensão de que esta "gripezinha" tem uma capacidade de resistência que não será debelada com a primeira vacina. Necessária, mas que não pode ser vista como a cura para todos os males, mas, sim, como um primeiro instrumento de combate a um vírus mutante.

Brinco com amigos que não me cadastrei ainda no Pix (sistema de transferência e de pagamentos bancários), assim como não pretendo entrar na primeira leva da vacinação. Por um simples motivo: ambos são insipientes e em fase de testes, havendo a necessidade de que sejam aperfeiçoados, assim como foram tantos outros sistemas e vacinas. Foi o caso da chamada "vacina dos velhos" que levou muito tempo para perder a desconfiança, mas, hoje, grande parte já incluiu na sua agenda anual, fazendo parte do cotidiano.

Não é comum um milagre na economia, assim como não é comum um milagre na medicina. Os experimentos precisando que os cientistas tenham espaço, financiamento e tempo para encontrar resultados. Vamos ter atendimento emergencial para quem trabalha na saúde, grupos de risco e circula mais. Para os demais, resta pedir bom senso: achar-se imune, colocar outros em risco, transmitir falsas esperanças são sinais de que há vírus tão ou pior que o "corona": aquele que te impede de usar a máscara... e também o cérebro!


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