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Doar órgãos é salvar vidas

25 de Junho de 2019 - 16h51 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Lasier Martins - Senador pelo Podemos-RS

É difícil não se emocionar com histórias de famílias de transplantados salvos pelo órgão de um desconhecido. A dor de parentes e amigos com a morte do seu ente querido, por vezes precoce, é em parte confortada com as vidas salvas por um generoso gesto. Esses momentos podem ser mais frequentes se o país investir em conscientização e respeito à decisão da pessoa que quer doar.

Chegou à Câmara dos Deputados projeto de minha autoria que acaba com a obrigação de consultar familiares próximos antes de fazer a retirada dos órgãos de um falecido que manifestou em vida o desejo de ser doador. A proposta estabelece que, uma vez declarada expressamente a sua intenção de doar, ninguém mais pode contrariar essa vontade no futuro.

O objetivo do texto já aprovado pelo Senado é, por óbvio, elevar o número de transplantados, reduzindo as filas de milhares de pacientes. Apenas no Rio Grande do Sul, referência internacional em transplantes, há 1,5 mil pessoas à espera de órgãos. Entendo ser urgente prover a segurança e a rapidez que estão na base do sucesso desses complexos procedimentos clínicos.

Há poucos dias, em Porto Alegre, me reuni com duas representantes da Via Vida, Maria Lúcia Elbern e Noemia Gensas, que lutam para ampliar o número de doadores. Elas manifestaram apoio a minha proposta de priorizar a vontade do doador após a sua morte e apresentaram outros pleitos, como a criação do Estatuto do Transplantado.

Uma das boas ideias trazidas pela ONG gaúcha e que já abracei é a de agregar um cadastro on-line junto à Central Nacional de Transplantes, com a lista de todos que consentirem a doação. Com isso, ao ser diagnosticada a morte cerebral, o hospital iniciaria de imediato os preparativos para o transplante, que quase sempre requer urgência.

A facilitação legal dos transplantes e a promoção do bem-estar dos transplantados são causas nobres e que dizem respeito a todos. O Brasil pode se tornar um modelo nesta área da saúde que dialoga diretamente com a solidariedade humana e os princípios da cidadania apregoados pela Constituição.


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