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Discutir é um hábito saudável

21 de Janeiro de 2020 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Nery Porto Fabres, professor

A assertiva do título deste texto é uma provocação aos debates neste ano eleitoral. Claro que a jogada aqui é defender a ideia de que cada sujeito do discurso deva anunciar as convicções que pretenderá defender, e isso se colocará dentro de um debate saudável e equilibrado, tanto em força da palavra como em substâncias do assunto. Que fique subentendido que os malucos e incontroláveis devem ficar de fora de quaisquer discussões. Por dois motivos: as peleias discursivas devem ser acompanhadas de bons fundamentos e uma parcela de noção empírica e, tão importante quanto, as discussões devem estar alinhadas ao tema central. Isso mesmo! Sem um tema central estabelecido não se deveria permitir debates. E nesses dias que antecedem o pleito, as rádios e televisões chamam os candidatos para se esbofetearem diante das câmeras e dos microfones. Para que isso? Pela audiência!

O certo é que não se pode entrar numa discussão sem dominar o assunto, porque isso enfraquece qualquer debate. E a política tem dessas coisas, os debatedores respondendo questões distantes das levantadas para o debate por falta de conhecimento do tema abordado.

Por isso é sadio discutir - e para discutir se tem que entender do assunto - por serem relevantes todos os pontos de vistas de determinado assunto. Não se pode querer que uma ideologia político-partidária se sobreponha ao Estado de Direito. Como também não se pode impor uma anarquia a partir dos direitos constitucionais garantidos. Enfim, ter direitos não gera direito de guerra.

O equilíbrio é indispensável para tudo na vida, não apenas para a política. No entanto quando se abre alguns jornais físicos ou virtuais se percebe uma ideia pronta sobre tudo. Como se a verdade absoluta estivesse dominando a manchete do dia. E não existe uma verdade absoluta. O que se pode colher de tudo é um padrão de mentira.

Então, deixemos os debates apimentar nossas vidas e mudar nossos conceitos estabelecidos por professores politizados. O que não se pode permitir são as visões de um mundo fictício dentro do orçamento familiar de cada comunidade.

A discussão tem que, impreterivelmente, mostrar como se poderá viver com o salário mínimo; como se poderá encontrar emprego que pague esse salário; onde há chance de estabilidade econômica; como obter incentivos para a indústria e comércio; onde obter a licença de cavar um poço artesiano para fugir da conta de água; como produzir energia eólica sem a obrigação de pagar por isso; como ter terras públicas disponíveis para a agricultura de subsistência; qual curso superior realmente garante emprego; como alcançar os direitos líquidos e certos previstos na Constituição Federal de 1988, etc.

Tem-se que dar um basta nesses candidatos que ganham as eleições para barrar todos os projetos dos governos e não fazem mais nada que justifique seus privilégios à custa do dinheiro público.

Portanto, se espera que neste ano de 2020 as balelas políticas não alcancem os rádios e televisões dentro de nossos lares, transportes urbanos, estádios de futebol, praças e eventos públicos. Espera-se que o bom senso traga os debates recheados de discussões saudáveis e que realmente nos mostrem qual o caminho que os candidatos querem percorrer.


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