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Dicas literárias

02 de Novembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Eduardo Ritter, professor do Centro de Letras e Comunicação da UFPel, coordena o projeto de extensão Café Literário - rittergaucho@gmail.com

Em tempos de Feira do Livro, dicas de bons livros sempre são válidas. Eu, particularmente, não faço ideia de quantos livros já li na minha vida. Considero que essa tentativa de fazer uma média de leitura para saber se uma pessoa (ou uma sociedade) lê muito ou pouco é um tanto quanto falha. Primeiro, porque os livros são diferentes entre eles. Por exemplo: enquanto li as mais de mil páginas dos dois volumes do Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, em aproximadamente um mês, gastei apenas dois dias para devorar as pouco mais de cem páginas do clássico Romeu e Julieta, de Shakespeare. Ou seja, em um mês eu posso ler 15 livros de cem páginas ou um de 1.500. E, afora o tamanho, a qualidade e o estilo também pesam: enquanto alguns livros são lidos rapidamente graças à fluidez da linguagem e da narrativa, outros nos exigem mais esforços e são lidos lentamente. O fato é que, por mais que eu tenha lido, sempre há infinitas novidades, pois o mundo da literatura é muito mais imenso do que o nosso próprio mundo.

No programa Café literário que vai ao ar neste sábado, às 15h na Federal FM, os convidados passaram dicas de leitura para os ouvintes, que eu repasso ao leitor do Diário Popular. Confesso que, por mais que eu já tenha lido nos meus 38 anos de vida, ainda não li nenhum dos livros sugeridos pelos participantes. As quatro obras indicadas, no entanto, entraram para a minha infinita lista de livros que ainda pretendo ler antes de morrer (sinceramente, precisaria viver uns 500 anos para ler tudo o que gostaria).

A primeira sugestão é do estudante de Jornalismo, Paulo Ienczak: O quarto K, de Mario Puzo. Segundo Ienczak, a trama se desenvolve a partir do momento em que o personagem ficcional Francis Xavier Kennedy, sobrinho de Robert Kennedy (assassinado nos anos 1960), assume a presidência dos Estados Unidos. Com o assassinato dos tios, o presidente fictício passa a viver sob a tensão de um eventual ataque. Assim, o enredo envolve suspense, política e ação. Ienczak salienta ainda que Mario Puzo é o autor de obras consagradas, como O poderoso chefão e Os tolos morrem antes, porém, essa obra publicada em 1990 não é tão conhecida, apesar de ter a mesma qualidade das mais famosas.

A segunda sugestão é da estudante Luma Costa: Mulheres, raça e classes, de Angela Davis. Luma Costa aponta que essa é uma obra que deveria ser lida por todos, principalmente por mulheres negras. "Essa é uma bíblia do feminismo negro interseccional", avalia. A narrativa conta a história da escravidão e da mulher negra na sociedade americana trazendo diversos pontos que deveriam ser mais debatidos na sociedade contemporânea. Mesmo tendo sido publicada originalmente em 1981, a obra segue atual e apresenta um contexto histórico que ajuda a entender - e se revoltar - contra o racismo e o machismo ainda existentes.

A terceira sugestão é do estudante e escritor Vernihu Oswaldo Pereira Neto: Os humanos, do romancista inglês Matt Haig. Nele, o autor conta a história de um extraterrestre que veio ao planeta Terra para impedir que a humanidade se desenvolva, pois eles consideram que os humanos não podem ter acesso a uma tecnologia específica. Porém, um dos extraterrestres que cumpria a missão descobre o prazer de ser humano. "De forma geral, o livro nos ensina a sermos mais humanos", comenta Vernihu.

Por fim, o professor do Centro de Letras e Comunicação da UFPel, Eduardo Marks de Marques, indica O colecionador, do escritor inglês John Fowles. Apesar de o romance ser dos anos 1960, foi lançada recentemente uma nova edição. Esse, segundo o professor, é um exemplo de romance pós-moderno e conta a história de um funcionário público do interior da Inglaterra que ganha na loteria. Com o dinheiro, ele decide comprar uma casa no interior e sequestrar uma garota pela qual é apaixonado. Assim, a primeira parte da narrativa trata do relacionamento abusivo, enquanto o segundo é um diário da moça sequestrada. Assim, a obra se torna um relato de violência contra a mulher, narrado na voz feminina da personagem.

Eu, pessoalmente, já anotei essas quatro dicas para procurar na Feira, afinal, livros mudam visões de mundo e nos fazem evoluir. Uma boa leitura e um bom evento a todos!


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