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Diálogos de Competitividade (II)- Desempenho e Complexidade Econômico

05 de Maio de 2014 - 07h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Cláudio L. Gastal, especialista em Gestão e Competitividade, professor da UCPel

O Brasil é a 7a maior economia do mundo e possui a 5a maior população dentre seus países. Sua economia cresceu 48% entre 2001 e 2012.

Os países podem competir entre si pela atração de capitais, por market share ou por recursos específicos (humanos, por exemplo). E para analisarmos a competitividade da economia brasileira, temos que considerar que nosso processo de desenvolvimento econômico tem sido reconhecidamente baseado na expansão do mercado interno.

Entretanto, é necessário reconhecermos que somos uma economia fechada. A despeito de nossa economia representar aproximadamente 3% da economia mundial quando analisados sob o critério da paridade do poder de compra (PPP), em 2012, nossa participação no comércio internacional foi de apenas 1,47%. Em comparação, países como México, Índia, Austrália e Espanha possuem uma participação maior no comércio internacional mesmo tendo uma participação na economia mundial menor que a brasileira.

A dimensão relacionada ao desempenho da economia mostra que o Brasil possui padrões de desempenho semelhantes ao de países em desenvolvimento; isso não é nenhuma novidade, entretanto, essa informação é muitas vezes desconsiderada para a análise da competitividade nacional.

Um elemento para a análise da competitividade da economia brasileira é a produtividade do trabalho. O Brasil possui uma produtividade do trabalho das mais baixas dentre os países avaliados pelo The GFCC Competitiveness DecoderTM. Além disso, a taxa de crescimento da produtividade do trabalho no país no período (2002 a 2012) foi de apenas 1%.

Ao considerar a competitividade como um elemento estrutural é importante analisar também, a complexidade de sua cadeia produtiva.

A existência de um tecido industrial complexo e sofisticado possibilita à economia dos países o ajuste necessário às condições impostas pelo mercado, desenvolvendo novos produtos sem apresentar grandes restrições de conhecimento, competências e infraestrutura industrial ao processo de desenvolvimento econômico.

O indicador de complexidade econômica, desenvolvido por César Hidalgo (MIT) e por Ricardo Hausmann (Harvard) considera a pauta de produtos exportados por um país e a sua “ubiquidade”: quanto maior a quantidade de itens produzidos/exportados e quanto mais raros (menos ubíquos) são esses, mais complexa e sofisticada é uma economia. Esse indicador serve de síntese para a análise da complexidade da economia dos países.

A despeito de nosso desempenho em atração de investimentos, que nos coloca entre os principais destinos do mundo, estamos na 36a colocação de 65 países referente a complexidade. Esse fato é fortemente influenciado por nossa pauta de exportação, majoritariamente composta por commodities minerais e agrícolas.

O processo de primarização da pauta exportadora acarreta em perda de competitividade da economia brasileira uma vez que torna nossa balança de pagamentos dependente da exportação de poucos produtos com muitos concorrentes mundiais.

A participação de produtos com alta intensidade tecnológica no total de produtos exportados por um país também serve de indicador síntese para a análise de sua complexidade econômica. Em 2012 o Brasil teve uma participação de 9,72% de produtos com esta característica em sua pauta de exportações, em 2002 essa participação era de 16,52%. A complexidade encontra-se, portanto, associada à sofisticação dos mercados e à inserção internacional da economia de um país.

 


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