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Desertos alimentares: desafio nacional

13 de Dezembro de 2017 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Caio Rocha, secretário do Ministério do Desenvolvimento Social.

O conceito diz respeito à ausência de alimentos que contribuem para a saúde e bem estar de uma pessoa, que pode ser evidenciado a partir da falta de informação, renda, tempo e distância dos locais que ofereçam alimentos in natura ou minimamente processados.

Um fenômeno que possui diversas facetas. Por um lado é comum encontrar áreas periféricas de grandes cidades com desertos alimentares em virtude de pouca oferta de alimentos frescos e de melhor qualidade sobre o ponto de vista nutricional. Por outro lado, nas mesmas regiões, há uma oferta predominante de fast foods e de alimentos não saudáveis, tais como processados e alimentos ricos em açúcar e sódio.
Um exemplo que podemos citar é a discrepância dessa realidade na cidade de Santos, no estado de São Paulo, evidenciado pelo estudo do departamento de Ciências do Movimento Humano Instituto de Saúde e Sociedade, da Universidade Federal de São Paulo, que demonstrou que a disponibilidade de alimentos minimamente processados se dá nas regiões mais ricas da cidade, uma vez que as famílias que moram nas regiões mais pobres têm que andar, em média, 700 metros para ter acesso aos pontos de vendas de alimentos mais saudáveis. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o que define a existência de desertos alimentares é quando pelo menos 500 pessoas de um determinado setor residem a mais de 1 km de distância de supermercados e/ou mercearias para comprar alimentos in natura ou minimamente processados.

Nota-se que o aumento do excesso de peso e obesidade entre os brasileiros de todas as faixas etárias ocorre mais em populações mais pobres. Somente no período de 2014 a 2016 o crescimento foi de 2,4%, o que demonstra a urgência de criarmos uma metodologia para deter esse crescimento constituindo políticas públicas de abastecimento para escolas, acesso ao conhecimento para associações de bairro, ações de agricultura urbana e de políticas de equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional. Calcula-se que cada US$ 1,00 gasto em programas de nutrição bem sucedidos traz benefícios equivalentes a US$ 16,00 de retorno líquido que alavanca economias e favorece as mudanças (Revista Nature – 01/12/2016).
Diante do exposto, fica evidente a importância do Plano Nacional De Segurança Alimentar e Nutricional 2016-2019, que, entre objetivos e metas, busca garantir a produção, disponibilidade, acesso e consumo de alimentos saudáveis é a principal forma de operacionalização da política para combater a insegurança alimentar e nutricional inclusive em desertos alimentares. O Plano possui 9 desafios e 121 metas, que também repercutem na agenda 2030, os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Uma dessas metas é o aumento do consumo regular de frutas e hortaliças. Em 2016, por exemplo, apenas 1 entre 3 adultos consumiam frutas e hortaliças em 5 dias da semana, o que representa 35% da população. A meta para 2019 é aumentar mais 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente, o que representa 43% do total de consumidores do país.

Contudo, para aumentar o consumo de alimentos saudáveis é preciso que estes estejam disponíveis e acessíveis para as populações mais vulneráveis, prejudicadas por se encontrarem em localizações menos favorecidas. Diante disso, a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - SESAN está fomentando ações para fortalecer a agricultura urbana e periurbana, projetos de abastecimento, incentivos às feiras-livres com estímulos à comercialização de alimentos frescos não processados provenientes da agricultura familiar de áreas próximas para oferecer mais saúde e boa nutrição à população que se encaixa nesse contexto.


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