Análise

Desafio Marat

Toda vez que Marat era colocado à prova por um adversário forte ou mesmo quando cometia uma sequência de erros, o descontrole emocional ficava evidente

22 de Janeiro de 2013 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Ana Cecília Romeu, publicitária e escritora

Marat Safin, ex-tenista russo que fez sua aposentadoria em 2009, ainda hoje é lembrado por seu temperamento explosivo nas quadras que sempre renderam um show à parte com direito a raquetes quebradas e toda sorte de caretas e gritos que compunham verdadeiro espetáculo. Toda vez que Marat era colocado à prova por um adversário forte ou mesmo quando cometia uma sequência de erros, o descontrole emocional ficava evidente e não raras vezes perdia o foco das jogadas. Isso não o impediu de ser um dos maiores jogadores de tênis de todos os tempos.

Em muitos momentos da vida somos testados em nossos limites emocionais e, como nesse esporte, isso pode ser decisivo.

Fiquei pensando sobre esses desafios e que cada um de nós tem o seu ponto fraco, onde percebemos ali nossa linha fronteiriça entre o querer e o poder, o que passa pelo autoconhecimento e pela vivência, mas como no dito popular “a experiência é um pente que se usa quando se fica careca”, nem sempre a solução vem a tempo e hora e o desafio de melhorar torna-se ainda mais difícil: o de ser mais vezes o Marat vencedor do que o quebrador de raquetes.

A verdade é que a dualidade forte/fraco, efeitos/defeitos nos compõe e sermos ela por excelência é sermos nós.

Viver já nos oferece um contrato de pré-requisitos, uma bula de remédios com posologia especificada em letras miúdas a cumprir, onde o fazer se sobrepõe ao ser. Talvez apenas tentar amenizar nossas fraquezas, já seja o suficiente.

Pensando na frase de Millôr Fernandes: “Todo homem nasce original e morre plágio”, como achar o ponto de equilíbrio entre o superar fraquezas e o não perder a identidade?

Penso que devamos analisar até onde elas podem prejudicar outras pessoas, porque tentar a perfeição talvez seja beber do impossível em doses homeopáticas.

Marat Safin não seria ele mesmo se não tivesse quebrado tantas e tantas raquetes. Vamos nos permitir quebrá-las de vez em quando, descer do salto, nos molhar na chuva, contanto que seja nossa própria chuva. Se isso não prejudicar alguém, será no mínimo porta aberta ao bom humor ou um grito de “estou vivo” o que pode ser suficiente para nos eternizamos de forma autêntica e não sermos imagem e semelhança de clone perfeito: sem nome, sobrenome e alma.


Comentários

  • nani oliveira - 23/01/2013