Artigo

Das máquinas e dos homens

18 de Outubro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Neiff Satte Alam, professor aposentado da UFPel, especialista em Informática na Educação/UCPel

Entendemos que o enorme acesso à informação coloca nosso cérebro em condições de quase impossibilidade de memorizar a maioria dessas informações e, na maioria dos casos, até a impossibilidade de recuperar o que se conseguiu memorizar.

Apesar de nosso cérebro ter uma capacidade de registrar informações em quantidade superior a qualquer computador, não possuímos periféricos em condições de buscá-las quando se fizerem necessárias.

É um paradoxo interessante, pois quanto mais evoluímos em tecnologias desse tipo, mais dificultamos a evolução da espécie, na medida em que todo o processo de pressão evolutiva, que remeteria a uma seleção natural com soluções adequadas a todo esse desenvolvimento, termina por ser substituída por periféricos destas TIs, que passam a ser periféricas não biológicas do homem.

Mas é da natureza humana apropriar-se do conhecimento (estágio superior à simples informação), mantendo a capacidade de alterar o rumo, a qualidade e o interesse maior sobre estas informações/conhecimentos, pois ainda não é, esperamos que nunca venha a ser, capacidade da máquina a evolução cognitiva, tanto do indivíduo como da espécie, caso contrário haverá a possibilidade das máquinas superarem o humano no que diz respeito a essa capacidade.

Ainda somos reféns das tecnologias de informação, das redes sociais e tudo que se disponibiliza nesses sistemas virtuais. Embora nossa evolução cognitiva seja ímpar, pois só tem sede em nossos sistemas biológicos, há manipulação evidente por parte de mecanismos denominados de redes sociais, onde disponibilizamos todos os avanços relativos a nossos pensamentos, ideias, inteligência, emoções e interpretações da realidade, entre outras ações puramente cognitivas. Basta à máquina processar, ordenar e direcionar, segundo conveniências dos programadores, todos os dados colocados pelos usuários (não somos mais pessoas, somos usuários com nossos CPFs), que serão devidamente utilizados para controle de tudo que disser respeito ao nosso cotidiano.

A enorme tarefa é assumirmos o controle destas tecnologias para que não sejamos totalmente controlados, vigiados e tendo de agir segundo o que determina a máquina através de uma minoria de controladores desse sistema. Uma verdadeira ditadura se avizinha e, quando menos esperarmos, tomará controle absoluto dos destinos da humanidade.

Basta prestarmos atenção no comportamento das pessoas em ambientes públicos para vermos a fascinação que causam os smartphones ao isolarem membros de cada grupo, mesmo estando juntos, pois suas mentes estarão em voos cegos pelos caminhos virtuais e totalmente afastados da realidade. Por exemplo: juntos, mas distantes, na mesma mesa de um restaurante com seus smartphones ligados, mas em contato com pessoas que estão a quilômetros de distância ou em outra mesa do mesmo restaurante!

Ou reassumimos o controle dessas cibermáquinas ou seremos absorvidos por elas. O futuro será tanto melhor como melhores forem nossas escolhas no presente, nossa realidade!


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