Editorial

Cuidado: pista com defeito

24 de Outubro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Quem costuma usar as estradas federais confirma o que revelou a 23ª Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte e pelo Sest Senat. No último ano, houve uma piora na qualidade das rodovias brasileiras. O percentual que mais chamou a atenção no estudo foi o que avaliou o estado geral, com problemas em 59% da extensão dos trechos analisados, maior em relação a 2018 (57%). Também ficou pior a situação do pavimento (52,4% têm problemas, contra 50,9% anterior), da sinalização (48,1% contra 44,7%) e da geometria da via (76,3% contra 75,7%).

A pesquisa traçou ainda características por estados, e, para o Rio Grande do Sul, alguns pontos são destacados nos 8.874 quilômetros analisados esse ano:

- Estado geral: 59,4% da malha rodoviária pavimentada gaúcha apresenta algum tipo de problema, sendo considerada regular, ruim ou péssima. 40,6% da malha é considerada ótima ou boa.

- Pavimento: apresenta problemas em 49,1% da extensão avaliada. 50,9% têm condição satisfatória. Em 0,6%, o pavimento está totalmente destruído.

- Sinalização: 52,5% da extensão é considerada regular, ruim ou péssima. 47,5%, ótima ou boa. A faixa central é inexistente em 3,9% da extensão e as faixas laterais inexistentes em 5,7%.

- Geometria da via: 79,6% da extensão é deficitária e 20,4%, ótima ou boa. As pistas simples predominam em 92,7%. Falta acostamento em 32,7% dos trechos avaliados. Nos trechos com curvas perigosas, em 38,7% não há acostamento nem defensa.

- Pontos críticos: a pesquisa identificou 78 no Rio Grande do Sul, sendo sete erosões na pista, duas quedas de barreira e 69 trechos com buracos grandes.

- Custo dos acidentes: o prejuízo gerado pelos acidentes foi de R$ 581,83 milhões em 2018. No mesmo período, o governo gastou R$ 755,31 milhões com obras de infraestrutura rodoviária de transporte.

- Estima-se que esse ano haverá um consumo desnecessário de 71,1 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento no RS. Esse desperdício custará R$ 251,94 milhões aos transportadores.

Se o Brasil prioriza ainda o modelo rodoviário, os problemas são gigantescos. Do tamanho de buracos, desníveis, acostamentos esfarelados e problemas que não param de aparecer nas nossas estradas.


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