Artigo

Crescimento e comércio exterior

04 de Novembro de 2019 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Ezequiel Megiato

Escritório de Desenvolvimento Regional - UCPel

É interessante discutir a ótica do crescimento econômico pela fórmula do PIB. Antes, vou traduzir um pouco do economês. Medimos o crescimento econômico de uma região, de um país ou mesmo do mundo pela variação do PIB - Produto Interno Bruto. Mas o que é o tal PIB? O PIB é a soma de toda produção de um determinado local. Na economia, definimos PIB como Y e possuímos uma fórmula em que dizemos que Y= C+I+G+X-M, onde o C é consumo total, I é investimento total, G é o total de gastos governamentais, o X representa o total de exportações e o M o total de importações. Simplificando esta última parte X-M é a representação do comércio exterior, neste caso, a diferença entre o que é ganho com as exportações e o que é gasto para adquirir produtos importados. Hoje, vou dar ênfase no comércio exterior, com a intenção de demonstrar onde estamos enquanto cidade e o que esse intercâmbio internacional representa para Pelotas.

Em 2018, Pelotas exportou US$ 170 milhões e importou US$ 104 milhões e apresentou um superávit de US$ 65 milhões, um intercâmbio comercial 35% superior ao que havia registrado em 2017. É o maior superávit e o maior comércio internacional dos últimos 10 anos. Apesar dos bons números do ano passado, representamos apenas 0,9% do total de exportações e importações do estado do Rio Grande do Sul.

Em se tratando de exportações, temos um perfil bastante definido e concentrado basicamente em produtos primários. No ano passado, as exportações de arroz representaram 70% de tudo o que foi exportado pelo município. Animais vivos (20%) e outros produtos hortícolas (4%) e ainda outra gama de produtos menos representativos fecham a lista de exportações. No ano passado, países como Venezuela (22%), Turquia (21%), Peru (18%) e Cuba (16%) foram os principais destinos dos produtos pelotenses. Há, é importante ressaltar, exportações para outros países, como Estados Unidos (2%), Jordânia (2%) e Arábia Saudita (2%), dentre outros menos representativos.

As importações, por sua vez, possuem pauta e origem diferente das exportações. Adubos e fertilizantes dominam a pauta importadora, com representação de 73% do total importado. Curiosamente, o segundo produto com maior importação é o arroz (6%). Outros produtos industrializados, especialmente alimentos, encerram a lista de importações. Os produtos importados, por sua vez, originam-se de uma gama mais diversificada de países, como Rússia (13%), China (12%), Israel (10%), Alemanha (8%), Uruguai (8%), dentre outros tantos com menor representação.

Ao analisar, preliminarmente, os números de 2019 são um pouco piores do que os do ano passado. Contudo, teremos uma análise mais detalhada nos próximos meses. Há que se destacar, por hora, a importância do conhecimento desses dados, tanto para empresários quanto para o governo local. Sabendo disso, é possível orientar melhor as políticas públicas voltadas ao setor externo, corrigir eventuais problemas e aproveitar oportunidades. É fato, o comércio internacional sempre gera ganhos de bem estar, isto é, ganhos econômicos e que incrementam o PIB, contudo, é preciso construir oportunidades para maximizar tais ganhos.

 


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados