Copa do Mundo de 2030 e Pelotas

06 de Dezembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Marcelo Oxley
Jornalista, presidente do Podemos em Pelotas

Falar de futebol e do seu maior evento é um dos assuntos que me enche os olhos de alegria quando escrevo. Aliás, o meu TCC foi exatamente sobre as edições das Copas do Mundo.

Seria extremamente importante para a história deste esporte, brasileiros e em particular para a nossa região que a sua 24ª edição, e também a comemoração do seu centenário, fosse justamente no mesmo país de sua estreia: em 1930 o Uruguai não só deu o pontapé inicial como também sagrou-se campeão.

Porém, será que a cidade de Pelotas pode pensar nesta grande fatia do bolo? Vejamos: o que teríamos para ofertar aos turistas europeus, como exemplo? Italianos, holandeses, ingleses, portugueses, belgas e suecos, caso estejam classificados para a Copa, deverão vir alguns dias antes de seus países estrearem. Pelotas teria o que oferecer?

Não me parece um assunto que ainda esteja "longe" de ser pensado. Se analisarmos a Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014, alguns estádios de futebol ficaram inacabados para o evento, mesmo tendo começado suas obras em 2010, ou seja, se o Uruguai for o escolhido teremos pouco mais de sete anos para melhorarmos estruturalmente falando.

Pelotas precisa estar atenta. Estamos a poucos quilômetros dos nossos vizinhos uruguaios. Temos a maior lagoa do mundo. Somos reconhecidos pelos tradicionais doces e lindas colônias. Possuímos belíssimos prédios históricos, enfim, no papel tudo me parece atrativo. Todavia, é preciso estarmos muito mais desenvolvidos, não apenas para recebermos o turista de um determinado evento, mas também o turismo da região.

Primeiramente cito dois pontos que fogem da alçada de gestão municipal, porém, já está mais do que na hora de ser pressionado para um resolução definitiva: será que a BR-116 já estará com a sua duplicação concluída? E o preço das praças de pedágio estarão ainda com este valor absurdo e desonesto?

Temos pórticos nas entradas da nossa cidade que possam orientar o viajante? Se optarem por conhecerem o Laranjal, há um hotel na orla? Nossas águas estarão balneáveis? Se a Copa do Mundo for nos meses mais quentes, o Sanep garantiria o abastecimento de água para os lados do Laranjal? Será que poderíamos pensar na nossa maior feira, a Fenadoce, para este período, com mais dias e atrações? E quem sabe realizarmos o nosso campeonato citadino de futebol com alguns convidados especiais? O Mercado Público não poderia estar sendo preparado para alguns eventos inéditos? Como estará o nosso aeroporto? Será que comportará a grande demanda de voos? Nossas ruas estarão com a iluminação em dia? Ou estaremos na penumbra, como a nossa querida ponte do Laranjal e outras localidades? Teríamos guias de turismo para apresentar Pelotas? Em locais específicos e com conhecimento do assunto?

São dezenas de pontos que já deveriam estar sendo pautados, a partir desta possibilidade. Não se enganem, a Copa do Mundo é maior que as Olimpíadas.

Pensar em 2030, além de imaginarmos o bem-estar do turista, é acreditar que ele deva retornar. Pelotas pode ser "consumida" em qualquer estação climática, sem qualquer evento pré-determinado. Assim, devemos deixar uma primeira boa impressão.

Recentemente, em Montevideo, Flamengo e Palmeiras disputaram a final da Libertadores da América e já sentimos, mesmo que superficialmente, o poder do futebol, a magnitude de uma final. Bares e restaurantes de Pelotas com a presença de centenas de torcedores rubro-negros e alviverdes que se deslocavam para o Uruguai.

Pelotenses, acreditem: a possível Copa no Uruguai dará infinitamente mais retorno que a edição de 2014. Sendo assim, preparem-se!

Prefeitura municipal de Pelotas: não desperdice esta oportunidade de ouro. É a chance de alimentarmos um campo esquecido há décadas: o turismo.


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