Conjuntura Internacional

06 de Dezembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Cezar Roedel
Consultor de Relações Internacionais
coluna@roedel.com.br

Ucrânia e Rússia: escalada de tensões
A Ucrânia tem sido um palco importante à geopolítica mundial, ao passo em que integra um espaço estratégico relevante, com a sua costa ao Mar Negro e a fronteira leste com a Rússia. Com milhares de soldados russos na fronteira com o país e tensões em escalada, Kiev solicitou para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sanções contra a Rússia, com vistas a se evitar uma possível invasão dos militares, em meio às tensões que se estabelecem na região, que já é sensível desde a anexação ilegal da Crimeia, por Moscou. A solicitação para a Otan é decorrência, principalmente, do apoio americano à soberania ucraniana, uma vez que o país não integra a Organização. A relação com os EUA se intensificou a partir de 2014. Enquanto isso, as relações entre Moscou e Washington adentram, cada vez mais, em uma zona de risco considerável, com ameaças dos dois lados. Putin chegou a dizer, recentemente, que a Rússia estaria pronta com arma hipersônica testada na região. O sinal vermelho de Putin é dado para que EUA e Otan não avancem as "linhas vermelhas", colocando mísseis próximos ao território russo. Para Kiev, o alerta de possível invasão russa não se dá apenas pela presença massiva de militares na fronteira com a Ucrânia, mas o que a própria história provou com a invasão e anexação da Crimeia, ainda em 2014. Na época, as potências ocidentais repreenderam duramente a decisão de Moscou, que abriu um grande risco geopolítico. Não bastasse isso, ainda há o apoio de Putin aos movimentos separatistas na Ucrânia, que amplia ainda mais a contenda, conhecida como a guerra em Donbass.

EUA e a estratégia russa
De acordo com o chefe da inteligência militar ucraniana, há cerca de 90 mil soldados russos na fronteira, prontos para uma invasão, provavelmente em janeiro de 2022. O número chama atenção e desvia obviamente de qualquer objetivo pacífico, o que tem levado os EUA a apoiarem a Ucrânia, inclusive com armamentos, contra a iniciativa russa de desestabilizar a região. Nessa conjuntura, o Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, afirmou que caso a Rússia prossiga com algum tipo de confrontação, tomar-se-ão medidas de alto impacto, principalmente econômicas. Putin, hábil jogador no campo da desinformação, afirma que não há qualquer iniciativa de invasão, se não, apenas uma resposta às ameaças da Otan e de uma possível retomada de áreas controladas por separatistas pró-Rússia, pela Ucrânia, na região de Donbass, o que Kiev nega prontamente. A estratégia de Putin é a de colocar a Ucrânia como a única responsável pelas tensões na região. Uma peça fundamental na influência ocidental sobre a Rússia é o gasoduto Nord Stream 2, do qual o país depende e sanções poderiam fazer Putin repensar uma eventual invasão. A relação de Moscou com Kiev se deteriorou ainda mais com as pretensões ucranianas de adentrar tanto na Otan, como na União Europeia, demonstrando que busca aliados ocidentais, algo difícil para ser compreendido pela Rússia. Somou-se a isso a tensa relação do país com os EUA, nos últimos anos. Para Putin, o que se objetiva são "sérias negociações" para se evitar a influência da Otan na região e a colocação de sistemas de armas perto de Moscou. Ocorre que a contrapartida russa tem sido a de manter soldados perto da Ucrânia, ensejando um cenário complicado.


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