Artigo

Conjuntura Internacional

29 de Novembro de 2021 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por: Cezar Roedel, consultor de Relações Internacionais
coluna@roedel.com.br

A geopolítica hipersônica

Na conjuntura conflitiva entre Washington e Pequim, a geopolítica das armas hipersônicas tem gerado uma tensão significativa, que coloca em dúvida a capacidade tecnológica americana nesse tipo de armamento e abre uma incógnita sobre os reais interesses chineses. As armas hipersônicas conseguem desenvolver velocidade até cinco vezes mais que a do som e estão divididas em dois tipos de tecnologia: 1) os mísseis a jato que podem voar em velocidades extremas, relativamente perto da superfície terrestre; e 2) os "veículos de deslizamento", que não possuem motores próprios. Eles são levados à atmosfera por algum tipo de foguete e, logo em seguida, são postos para planar, até que atinjam os seus alvos. Essas armas podem ser carregadas até com ogivas nucleares e ainda ser manobradas, diferente dos mísseis tradicionais, que possuem trajetória previsível. Até o momento, apenas três países possuem a aludida tecnologia. China e Rússia já testaram as suas armas que podem ser carregadas com ogivas nucleares, com relativo sucesso, o que reacende o alerta nuclear na geopolítica global. Os EUA também têm desenvolvido mísseis hipersônicos, sem o enfoque nuclear, todavia ainda sem testes. Alemanha, Índia, França, Austrália e Japão também possuem programas iniciais.

As preocupações

As armas hipersônicas preocupam, principalmente pela capacidade de enganar os sistemas de defesa antimísseis, uma vez que a sua trajetória não é previsível e voam em altitudes baixas, diferente dos tradicionais mísseis balísticos intercontinentais, que podem ser vistos a milhares de quilômetros. Os chineses estão investindo pesadamente no sistema hipersônico, já que o mesmo poderia explorar as falhas do atual sistema de defesa antimíssil. Todavia, a dissuasão nuclear ainda permanece no conceito da "destruição mútua assegurada", que determina que um ataque nuclear obviamente seria revidado, aniquilando ambas as partes. Os mísseis hipersônicos são capazes de turvar as tomadas de decisões, dada a sua trajetória imprevisível. Outra questão que surge é a de que nos atuais acordos globais sobre armamentos, a tecnologia dos mísseis hipersônicos não é mencionada.

O teste chinês

O jornal Financial Times recentemente revelou o teste chinês com arma hipersônica, conduzido ainda no mês de julho. A tecnologia chinesa parece bem avançada, com mísseis que podem ser manobrados e carregados com ogivas nucleares, desenvolvendo uma velocidade cinco vezes maior que a do som, tecnologia que aparentemente nenhum outro país possui, no mundo. No teste conduzido, a tecnologia hipersônica que plana, conseguiu disparar um míssil no Mar do Sul da China. Os especialistas estão divididos acerca da tecnologia, uns consideram que pode ser um míssil "ar-ar" (disparado de uma aeronave para derrubar outra, no ar), ou tecnologia para destruir sistemas de defesa antimíssil. O sistema é capaz de sobrevoar o Pólo Sul, colocando o míssil fora do percurso da defesa americana, orientado ao Pólo Norte. O teste pegou as potências ocidentais de surpresa, pelo avanço tecnológico. No fronte militar, a China vem investindo de forma pesada, inclusive nos armamentos nucleares, com um projeto célere que agora se soma com o sistema hipersônico, evidenciando o seu apetite, que já supera o conceito de defesa mínima, para uma agressão significativa.


Comentários

Diário Popular - Todos os direitos reservados