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Concessão pública do Sanep

15 de Janeiro de 2022 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Marcelo Oxley, jornalista e presidente do Podemos em Pelotas

A cada ano que nos aproximamos de uma eleição, o poder de barganha do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) passa a ser um belo atrativo para algumas pretensões políticas ou de políticos. Mesmo que você não tenha conseguido se eleger para um cargo público, não fique apreensivo: dependendo do que fez, em campanha, poderá ter uma ótima oportunidade de ingressar no Sanep.

Já não é de hoje que a autarquia é vista como um "cabide de empregos" em Pelotas. Esse problema não é novo. Quem já não ouviu falar que o "fulano de tal 'pegou' uma boquinha no Sanep"?

Mas é preciso salientar que existem ótimos servidores, que não concordam com tais indicações políticas. Trabalhadores que entraram pela "porta da frente" e que tenho absoluta certeza de que não assimilarão estas palavras. Pessoas com caráter ímpar e que fazem de tudo por aquela bandeira: não medem esforços e entendem que Pelotas precisa melhorar neste quesito.

Porém, o cerne da questão está exatamente em quem acredita que "pode mais", delegando alguns cargos do Sanep para cidadãos totalmente desqualificados, os quais têm uma parcela decisiva quando a prestadora de serviço é avaliada pelos pelotenses.

A concessão pública, mecanismo diferente da privatização, poderia colaborar para que esta máxima começasse, aos poucos, a perder forças e ainda permanecer sob os olhares das próximas administrações do município e de seus consumidores, pois o prazo da parceria seria predeterminado.

Primeiramente, bandeiras partidárias não se envolveriam diretamente com a empresa privada e, então, não dariam ênfase a este tabuleiro perigoso. Teriam uma ótima oportunidade para darem o exemplo de uma nova história. Uma afirmação de que o Sanep pode e deve andar sozinho deixando de lado vieses políticos.

Além do mais, outros benefícios poderiam ser firmados entre a administração pública e a empresa privada. Quantos bairros em Pelotas sofrem com a falta de água e a qualidade de alguns serviços prestados pelo Sanep? No Laranjal, quando o verão está próximo, também se aproxima a sensação de que em algum momento não teremos água. Um problema crônico, de décadas e que nenhum governo conseguiu solucionar.

Colocar sempre este obstáculo na conta do maior número de moradores nesta estação e o consumo de água que deverá ser necessário me parece muito fácil. E não houve governante que tenha falado de forma contrária, que tenha manifestado outra desculpa. É uma conta simples: a estrutura disposta pelo Sanep precisaria ser compatível com o novo quadro de residentes do Laranjal, nos meses mais quentes.

A ideia de exigir da concessionária, em dar condições balneáveis às águas dos nossos balneários, deveria estar nas primeiras linhas do contrato. Cito o mesmo trecho do penúltimo parágrafo - problema crônico que nenhum governo conseguiu solucionar. Todavia, esta barreira tem uma proporção gigantesca na economia da cidade, uma vez que trava o turismo e consequentemente a geração de empregos. Quantos turistas deixam de vir para nossas praias por saberem que nossas águas não têm condições de banho?

Existirão outras possibilidades, novo conceito e formato caso uma empresa se interesse em participar desta concessão. A renovação deve existir em todos os serviços prestados por qualquer braço que alcance uma prefeitura. E neste caso, enxugar o quadro de CCs não seria ruim para uma gestão que não sabe andar sem emendas.

Outra particularidade são os altos valores mensais de nossas contas. Com uma moderna eficiência administrativa provavelmente os mesmos se tornem mais leves aos nossos bolsos.

Não devemos nos esquecer que o Sanep abrange muito mais que somente água: a coleta de lixo e o tratamento de esgoto merecem os ares de um novo engajamento.

Talvez este processo não seja rápido, mas precisa ter um começo. A cidade de Pelotas não é a mesma de algumas décadas atrás.


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