Editorial

Como será agora, sem as cestas?

06 de Dezembro de 2021 - 08h12 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Em uma ação que tem se repetido nos últimos seis meses, a Central Única das Favelas (Cufa) em Pelotas distribuiu no sábado pela manhã 210 cestas básicas a famílias em vulnerabilidade social. Uma iniciativa que tem se mostrado cada vez mais necessária nos últimos anos não apenas no município, mas em todos os cantos do Brasil diante do empobrecimento da população.

Logicamente, é uma total desconexão com a realidade considerar como solução dos problemas estas pouco mais de duas centenas de kits com itens minimamente necessários para alguma segurança alimentar e dignidade das famílias. Contudo, da mesma forma é desconhecer a gravidade da situação apontar que, por serem poucas diante do universo em pobreza extrema, tais cestas não façam diferença. Fazem muita. Para as mulheres cadastradas e que receberam os alimentos, eles significam tudo - ou quase tudo - aquilo com o que contarão pelas próximas semanas. Destes pacotes sai o alimento delas e dos filhos.

Com um trabalho social exemplar em todo o País, a presença da Cufa em Pelotas é muitas vezes o único suporte efetivo que algumas comunidades nos bairros conseguem contar. Mesmo que haja na cidade resistência em usar o termo favela, fato é que o município tem áreas absolutamente degradadas, sem infraestrutura digna e com milhares vivendo em condições miseráveis. Cidadãos esquecidos aos olhos de outros tantos conterrâneos e apartados de quaisquer políticas públicas que lhes assegurem acesso a direitos constitucionais, como moradia digna e segurança alimentar.

Graças à Cufa, estas pessoas receberam nos últimos seis meses as cestas básicas. Mas e agora, com o fim deste ciclo de entregas dos alimentos que eram repassados pela Vale à Central, como ficam estas famílias? Que saída terão estas centenas de mulheres para garantir alimento aos filhos em janeiro, fevereiro, março…? Certamente os representantes da Cufa continuarão em busca de apoio e doações para mitigar o impacto da interrupção. Como costumam fazer oferecendo atividades culturais, sociais, esportivas e oficinas para driblar a ausência do Estado nas comunidades.

Esforço, vale ressaltar, repetido por outras tantas ONGs, entidades, grupos e iniciativas individuais que também se envolvem em ações assistenciais e de tentativa de transformação de realidades. Todas merecedoras de reconhecimento. Mas, mais do que isso, de apoio e doações. De alimentos, dinheiro, tempo, trabalho. O que for possível e necessário. Afinal, há gente precisando agora nas favelas ou vilas. E, nas próximas semanas, mas 210 precisarão. O que será delas sem as cestas recebidas pela última vez no sábado?

 


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